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Até o mais bem cuidado e ajustado motor dois tempos sofre desgastes com o uso ? principalmente em suas peças móveis que compões a câmara de combustão, como pistão, anéis e camisa do cilindro ? devido ao calor e ao atrito. Na fase de desgaste natural, esses componentes ficam cada vez mais ?folgados?, prejudicando o funcionamento do motor, que vai perdendo a ?força? até ser incapaz de impulsionar a moto ou scooter.
Nos motores 2T em geral, isso acontece depois de aproximadamente 50.000 km rodados ? ou mais, dependendo da boa manutenção dos sistemas de alimentação e lubrificação, vitais nesse tipo de motor. Até a forma de pilotagem influi na durabilidade da moto ou do scooter. Mas essa vida útil pode ser drasticamente reduzida caso ocorra superaquecimento por excesso de esforço, falta de lubrificação ou mistura de ar/combustível pobre: muito ar e pouco combustível. Nessas condições o calor pode causar o travamento do motor, riscos no cilindro ou no pistão causados por excessiva dilatação ou e até mesmo o derretimento de peças do motor, fazendo-o ?fundir?. Nesses casos o motor deverá ser desmontado para a troca das peças afetadas por componentes novos ou recuperados por meio de retífica. Veja como fazer.
1 SINTOMAS
Existem ?sintomas? que permitem perceber um motor 2T ?cansado? e sem compressão, como no caso do scooter Brandy Jaguar 100 usado como exemplo nesse ?Faça em casa?. O rendimento do motor foi diminunindo até ficar ?sem força? para ganhar velocidade ou subir pequenas rampas, apesar do câmbio automático, alimentação, lubrificação e ignição funcionarem perfeitamente. Perceber que o pedal de partida está ? mole? demais para ser acionado ou conseguir fazer girar o motor com as mãos a partir do volante da ventoinha, sem nenhuma oposição, também são fortes indícios de que o motor está sem compressão. Outros sintomas são os ruídos internos feitos pelas laterais do pistão sobre as paredes do cilindro, num som metálico conhecidos como ?Batida de Sáia?, que se forem excessivos, evidenciam grandes folgas. O desgaste do motor ainda pode ser medido através de um manômetro de pressão instalado no lugar da vela de ignição.
Acionando-se a partida, o piloto obtém leituras de compressão que, se forem inferiores as recomendadas pelo fabricante geralmente algo em torno de 100 libras, indicam a necessidade de troca ou retífica de peças . Para tando, o motor deverá ser ?aberto? para inspeção e troca das peças danificadas por novas ou retificadas.
2 DESMONTAGEM
Retire o escapamento soltando os dois parafusos sextavados 10 mm do bocal do escapamento localizados sob o scooter e dois parafusos 12 mm deslocando-o para fora de seu suporte.
3 No caso dos scooters, as peças plásticas das laterais da carenagem deverão ser removidas para possibilitar acesso ao motor. No caso do Jaguar 100, inicie a remoção pelas abas e carenagens laterais soltando seus parafusos Phillips.
4 O porta-objetos , juntamente com o banco do piloto, suporte da bateria e registro automático de combustível deverão ser retirados, para isso, desencaixe o acabamento do porta-objetos, solte os parafusos sextavados 10 mm no fundo do compartimento e as duas porcas 12 mm do bagageiro.
5 Retire o assoalho do scooter soltando os quatro parafusos de 10 mm que o prendem e os quatro parafusos Phillips que os une ao escudo frontal.
6 Remova o tanque de óleo 2T soltando o parafuso 10 mm e desencaixando-o do carburador apertando os clips de pressão, tire o carburador soltando a braçadeira e as mangueiras de vácuo, combustível, óleo 2T e o conector elétrico de afogador automático. Para não ?perder? os ajustes da bomba de óleo 2T e acelerador, os cabos de comando não precisam ser soltos. Se o fizer, novos ajustes deverão ser executados, veja na edição 284.
7 No Jaguar 100, o cilindro e o cabeçote são cobertos por uma capa plástica (da refrigeração forçada do motor) dividida em três partes. Para soltá-las, retire os dois parafusos Allen 5 mm junto à ventoinha e um Phillips da parte superior. Nota: ara tirar a cobertura do cilindro/cabeçote, force a traseira do scooter e movimente o conjunto motor/transmissão/roda traseira até que a peça plástica possa ser extraída. Cuidado para não quebrar os pinos de fixação da capa.
8 Retire a vela de ignição e solte as quatro porcas com flanges de 12 mm do cabeçote, cuidadosamente, desapertando um pouco por vez de forma cruzada. Retire o cabeçote utilizado o ?mesmo macete? adotado na capa do cilindro.
9 Limpe o cabeçote e verifique se não está empenado apoiando-o sobre uma superfície plana e lisa, como o tampo de vidro de uma mesa, observando seu assentamento. Se forem constatados empenamentos, o cabeçote deverá ser trocado ou também retificado.
10 TROCA OU RETÍFICA?
Para retirar o cilindro afrouxe os parafusos ?prisioneiros? do bloco do motor. Isso pode sr feito usando-se um pequeno alicate de pressão a ser cuidadosamente instalado na parte ?lisa? desses parafusos e girado, tomando-se o cuidado para não entortá-los ou estragar as roscas. Saque então o cilindro puxando-o para a frente, fazendo-o ?escorregar? sobre o pistão.
11 No caso de Jaguar 100, o pistão é solto liberando-se com um alicate de bico fino as duas travas de fixação junto ao pino. Depois, basta puxar cuidadosamente o pino para soltar o pistão.
12 Na maioria dos casos, os danos se resumem à ?parte de cima? do motor e a desmontagem parcial feita até aqui é o suficiente. Mas verifique se não ocorreram danos também nos roletes da biela. Se estiverem riscados, tortos ou travados, deverão ser trocados. Tente movimentar a biela para os lados observando se não existe um ?jogo? excessivo do componente. Caso haja e ainda se forem constatadas sujeiras, detritos, danos na biela, mancal da biela ou virabrequim, o restante do motor também deverá ser desmontado ? Veja Box.
Porta de entrada
Acostumados a lidar com scooters, o experiente mecânico Orlando de Oliveira aconselha a inspeção regular da parte superior do pistão de acionamento da agulha do carburador. Segundo orlando, ?dependendo de onde o scooter roda, o estado da vedação dos cabos de comando e do próprio carburador, os componentes acabam transformando-se em porta de entrada de partículas de areia e detritos para a parte de baixo do motor? diz.
O mecânico explica que tais partículas passam pelo carburador e se alojam junto à biela e virabrequim, podendo chegar até a câmara de combustão, promovendo um rápido desgaste das peças. Dessa forma, segundo Orlando, ?o piloto deve aproveitar o momento da retificada parte de cima do motor para inspecionar o pistão e a agulha do carburador. Se estiver sujo, indica que a parte de baixo do motor também estará nas mesma situação e deverá ser também desmontada para limpeza e reparos.
13 É o momento de decidir entre a troca ou retífica de componentes relativamente caros, como a camisa do cilindro ou cabeçote. Estes podem ser recuperados em oficinas especializadas, o que tem sido uma opção mais barata do que a troca ? veja Box.
14 o novo pistão, já com os anéis travados nas suas canaletas, poderá então ser instalado na biela da sua posição correta: com a flecha em alto relevo sobre o pistão apontando para a saída de escape do cilindro. O pino deve sr cuidadosamente fixado com novas travas. Instale o cilindro utilizando uma nova junta de vedação e óleo 2T para facilitar a passagem do novo pistão. Posicione os parafusos prisioneiros cuidadosamente. Nota: em alguns motores, os anéis de vedação (de baixo) e raspagem (de cima) são diferentes. Se necessário, consulte o fabricante.
Retífica ou troca
Uma pesquisa de custos pode ajudar a decidir entre trocar o componente danificado ou recuperá-lo por meio de retífica. Na retífica, o cilindro é raspado e polido com uso de máquinas e ferramentas especiais, ganhando novas medidas ?retificadas? para um diâmetro final maior ? daí o nome. Essas medidas são necessariamente maiores, mas padronizadas em, 0,25 mm, 0,50 mm e 0,75 mm a mais do que o cilindro original (?0,0?).
Geralmente, a troca custa o dobro do preço de uma retífica. Porém, a retífica em seu limite, pois não há mais nada a ser feito depois de ultrapassada a medida de 0,75 mm.
15 Inicie a remontagem do motor e do scooterm seguindo a ordem inversa da desmontagem. Utilize uma nova junta do cabeçote e aperte as suas porcas de fixação, sempre um pouco de cada vez, em seqüência cruzada e sem exageros ? torque recomendado 2,5 kgf.m. Completada a remontagem rode alguns minutos parando logo em seguida para retirar a vela de ignição e inspecionar seus eletrodos, que devem apresentar uma coloração marrom clara e estar umedecidos de óleo. Se necessário, ajuste a bomba de óleo e o carburador ? veja nas edições 284 e 284-A. Repita a operação novamente até obter a coloração ideal para a vela. Lembre-se de que nos primeiros 1.000 km, o motor estará de novo ?em amaciamento? e não deverá ser submetido a grandes esforços. Por segurança, a bomba ou mistura de óleo 2T costuma ser feita de tal forma a proporcionar uma dose extra de lubrificante ? 20% a mais que o normal. Passado este período, retorne às dosagens de óleo 2T habituais recomendadas pelo fabricante. Nota: rodar com falta de óleo 2T ou mistura muito pobre ? com muito ar e pouco combustível ? pode comprometer todo o serviço e danificar os novos componentes. Antes de utilizar normalmente o veículo, certifique-se de que tudo funciona regularmente.
Os serviços sugeridos exigem algum conheciemtn ode mecânica. Antes de realizá-los, cada motociclista deve conferir se tem habilidades e ferramentas para evitar problemas.