Soluções urbanas: Yamaha NMax x Honda PCX x Dafra Cityclass

24/05/2016 09:21

A mira da Yamaha agora se voltou para o crescente mercado de scooters, em especial para o segmento que lidera as vendas – o do Honda PCX 150. O atraso foi compensado por um produto recém-lançado na Europa, que aqui recebe motor maior e é batizado de NMax 160, mas apesar do ABS de série se mantém na faixa de preço de R$ 11 mil dos concorrentes PCX e Dafra Cityclass 200.  

O NMax segue as linhas do irmão maior e musculoso TMax 530, o desenho do farol em peça única também é invocado e os piscas integrados à carenagem. É moderno e tem acabamento de qualidade como o PCX, ambos claramente num nível acima do Cityclass, algo que o scooter da Dafra deixa evidente no painel, por exemplo. LEDs no conjunto de iluminação de Yamaha e Honda dão um toque a mais, além, claro, do maior poder de iluminação.

Montar nos três revela posições de pilotagem parecidas, mas apenas o Dafra tem o assoalho plano que permite ampla movimentação das pernas e facilita a vida das mulheres que querem usar saia. A diferença está no projeto dos japoneses que opta pelo tanque no assoalho para reduzir o peso suspenso e centralizar massas, o que se reflete em mais agilidade para mudar de direção e elimina a necessidade de levantar o banco para abastecer – o Cityclass também é o único que não tem um sistema para sustentar o banco levantado. NMax e PCX oferecem como alternativa apoios para os pés à frente do assoalho, que permitem esticar as pernas e são especialmente úteis em vias expressas ou na estrada; são menores no Honda, que por outro lado tem mais espaço no assoalho que o Yamaha, cujo túnel central é mais largo e até deixa um pouco das laterais de nossos pés 42 um pouco para fora.

Dando a partida é perceptível que existem diferenças nos níveis de ruído e vibrações, consideravelmente maiores no Cityclass, um projeto mais antigo que a Dafra desenvolveu a partir de um modelo da italiana Garelli, razão de ser também o único com motor refrigerado a ar e 2 válvulas. O PCX é o extremo oposto em silêncio e ausência de vibrações, trabalho exemplar da Honda com o motor monocilíndrico. Outro aspecto fundamental para o conforto é que rodando pelas ruas irregulares de São Paulo notamos grandes diferenças entre os três, o Dafra com acerto super macio das suspensões e rodas maiores de 16 polegadas sofre menos, mas perde em precisão e estabilidade, enquanto a Honda solucionou o problema de fim de curso da primeira versão do PCX adicionando carga excessiva ao sistema traseiro, deixando o scooter duro e cansativo nessa condição. O NMax fica em posição intermediária nesse quesito, estável e ágil sem rigidez demais.       

Aceleração ilimitada

Quando o semáforo fica verde o Yamaha revela que seus números de potência e torque superiores correspondem à realidade (15 cv e 1,47 kgf.m), é esperto nas respostas ao acelerador, sai na frente e vai abrindo vantagem do PCX com tranquilidade (13 cv e 1,36 kgf.m), que por sua vez deixa o Cityclass para trás (13,8 cv e 1,4 kgf.m). Se houver espaço suficiente, como na estrada, o NMax continuará avançando até algo próximo de 122 km/h no painel, o PCX fica estagnado perto de 112 km/h por causa do limitador e o Cityclass o acaba passando. Quando precisar olhar os scooters que ficaram para trás pelo espelho do Yamaha você notará que são menores, o desenho mais pontiagudo limita o campo de visão e atrapalha um pouco.   

Quando o assunto é frenagem temos também linhas diferentes adotadas pelas marcas, o NMax com dois discos e anti-travamento ABS, o Cityclass com também com discos, mas sistema combinado CBS (acionamento do traseiro transfere um pouco da pressão ao dianteiro para equilibrar a frenagem) e o PCX com tambor atrás e CBS. O ABS tem a vantagem de evitar o travamento em superfície escorregadia ou por excesso de pressão, como num susto; já o CBS é um recurso útil para condutores iniciantes que ainda não sabem coordenar o uso dos dois freios ou que têm o vício de usar só o traseiro. Não houve diferença significativa nos espaços que os três percorreram até a parada nos testes, portanto a preferência acabará sendo definida pelo perfil do condutor, embora votemos no ABS.

Chegamos ao local onde faríamos as fotos desta matéria e nos deparamos com mais uma questão crucial para qualquer usuário de scooter, o espaço para guardar capacete e outros objetos. Todos comportam capacetes integrais, mas sobra um pouco de espaço atrás do capacete no NMax e ainda mais no PCX, que pode ser suficiente para uma bolsa ou capa de chuva. Porta-luvas com fechadura só no Dafra, um pequeno compartimento com tampa no Honda e o espaço é aberto no Yamaha.

A autonomia do PCX é maior por causa do tanque para 8 litros, contra 6,6 do NMax e 6 do Cityclass, embora essa conveniência não seja tão decisiva na compra de um veículo urbano. O sistema start-stop também contribui desligando o motor automaticamente nas paradas e religando imediatamente através do sistema elétrico quando o acelerador é girado. Particularmente acho que desliga o motor muito rápido, em paradas que não seria necessário, e poderia ter esse tempo elevado em algo como 2 segundos para evitar desliga-liga desnecessário e sobrecarregar a bateria. De qualquer maneira seu uso é opcional e pode ser desativado por um botão.

Nossa preferência deixa de lado o Cityclass, na última posição, e fica entre PCX e NMax. Decisão difícil, com prós e contras nos dois, e que deve ser definida por aspectos de uso prático do comprador, como a necessidade de velocidade máxima ou se costuma rodar por asfalto ruim. Com os três à disposição por alguns dias me vi preferindo voltar para casa de NMax principalmente porque é mais “espetinho” e não castiga as costas, mas desejando que vibrasse pouco como o PCX. 

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