Leandro Mello pilota Diavel turbo de 250 cv feita no Brasil

15/03/2018 18:04

Diavel é uma referência a “diabólico”, mas aqui no Brasil alguns apaixonados por preparação conseguiram mudar o sentido para “insano”. Tudo começou quando o proprietário desta Ducati Diavel, entusiasta de carros e motos modificados, pensou em executar o projeto de turbiná-la. Como os loucos nunca andam a sós, logo entrou no circuito o preparador Marcelo Peixoto, da Motors Company, que já havia turbinado uma Harley-Davidson V-Rod publicada por Duas Rodas anos atrás. 

Com a motocicleta na oficina, Marcelo iniciou a escolha dos componentes e o estudo de posicionamento – diferente dos carros, nos quais há mais espaço disponível e existe a facilidade de esconder tudo debaixo do capô. Além de os componentes ficarem à mostra na Diavel e por isso ser necessária uma instalação de boa aparência, existe a questão do espaço limitado, preservando a área destinada à perna do piloto e a usabilidade da moto (a turbina não pode raspar nas curvas, por exemplo).  

Foi escolhida uma turbina Garrett GT2860R, que possui rolamentos no eixo principal em vez de bronzinas, e uma válvula da marca TiAL. Com esses componentes nas mãos a moto foi enviada para os artesões da Rocket escapamentos, que fabricaram um coletor de curvas perfeitas em aço inox e posicionaram turbina e válvula de regulagem de pressão de forma harmoniosa. Com essa parte pronta foi a vez de criar a caixa de pressurização, também conhecida como mufla, e a tubulação para levar o ar da turbina até o corpo de injeção. Essa tarefa ficou sob a responsabilidade da Fôlego Turbo.

Como fica a eletrônica embarcada?

E a tão esperada hora de funcionar o motor cada vez mais próxima ainda teria um grande desafio pela frente: o sistema de injeção eletrônica, pois a ideia era manter o funcionamento com gasolina preservando as funcionalidades do acelerador eletrônico, controle de tração, ABS. Marcelo optou por um módulo auxiliar da italiana Rapidbike com novos bicos injetores K18, para dar conta de alimentar o motor corretamente, deixando o funcionamento linear, sem falhas na aceleração. 
Para facilitar a pilotagem e tornar a experiência de quase levantar voo em 3ª marcha a mais de 180 km/h foi adicionado um sistema de troca de marchas quickshifter. Nenhuma alteração estrutural foi feita, portanto a moto pode ser revertida à originalidade facilmente. 

Componentes internos do motor, como virabrequim, bielas e pistões permaneceram originais, pois já são forjados e de boa resistência, se adequando ao projeto que o proprietário solicitou. Após várias horas no dinamômetro em busca da melhor regulagem da injeção o resultado são mais de 223 cv de potência e 18 kgf.m de torque na roda com apenas 0,4 bar de pressão. Ou mais de 250 cv medidos no virabrequim, mesmo padrão adotado pelas fichas técnicas da maioria das fabricantes (originalmente a Diavel rende 162 cv e 13,3 kgf.m). “Ficou linear na subida de giros, mas um canhão!”, disse o piloto Leandro Mello depois de avalia-la numa pista fechada. “A rapidez com que as rotações sobem e é preciso de trocar de marcha impressiona. Desligando os controles eletrônicos pode ficar fazendo burnout na aceleração por dezenas de metros, e quando traciona, empina em 1ª marcha, 2ª, 3ª...” 

Leandro e Marcelo concordam que a Diavel foi um ótimo ponto de partida para o projeto, porque alia roda e pneu traseiro largos (240 mm) com entreeixos mais longo do que numa naked ou esportiva, melhorando aderência e estabilidade, além de reduzir (até onde é possível) a tendência a empinar. Isso sem abrir mão de um conjunto adequado à alta performance, com assistência eletrônica, suspensões ajustáveis e freios de primeira linha.

 

©Copyright Duas Rodas. Para adquirir direitos de reprodução de conteúdo, textos e/ou imagens: marcelo@revistaduasrodas.com.br

APLICATIVO



INSTAGRAM