Nostalgia em 2 tempos: conheça a esportiva Suter MMX 500

Lembra-se das quase indomáveis 2 tempos que dominaram a Era pré-MotoGP e nos anos 1980 produziram as tão desejadas Yamaha RD 500 e Suzuki RG 500 de rua? Mesmo quem não alcançou estas exclusivas máquinas de 4 cilindros e já se divertiu com Yamaha RD 350 e Aprilia RS 250, esta no apagar das luzes dos motores que queimavam gasolina com óleo, dificilmente fica impassível diante da suíça Suter MMX 500.

Esta homenagem aos velhos tempos lançada em produção limitada pela fornecedora de chassis do Mundial voltou ao noticiário por conta do anúncio de uma parceria com a americana Arch, do ator Keanu Reeves, que além de produzir cruisers passará a representar a Suter em sua expansão para fora da Europa. A Suter faz parte da nova casta de esportivas caríssimas e de edição limitada para uso exclusivo em pistas fechadas, da qual também fazem parte Kawasaki Ninja H2R, Ducati Panigale Superleggera, BMW HP4 Race e Honda RC213V-S. Portanto você não verá uma MMX 500 nas ruas, até porque o preço de 123 mil dólares (na Europa) é superior em 30% ao da Superleggera, a mais cara das esportivas vendida no Brasil (R$ 550 mil).

Com um V4 de 576cc que rende 195 hp a 13.000 rpm, a MMX usa um chassi de alumínio coberto por componentes de fibra de carbono para carregar apenas 127 kg. Pode-se esperar uma subida de rotações vertiginosa como é característica deste tipo de motor, que não precisa movimentar um comando de válvulas e tem um ciclo de combustão para cada dois (e não a cada quatro como nos motores de quatro tempos). Esta é a razão para tamanho rendimento extraído de um motor de média cilindrada, reforçando a regra em prática no Mundial quando motores de 2 e 4 tempos competiram juntos: respectivamente 500cc contra 990cc, para que houvesse equivalência de performance.

A diferença da Suter para os protótipos de antigamente é o advento da eletrônica, por meio de injeção eletrônica e válvulas de exaustão gerenciadas pela ECU. Porém a MMX não é dócil e, como disse o campeão de 1987 Wayne Gardner após a primeira acelerada, “a roda da frente subiu até a moto ficar na vertical com tanta rapidez que quase sujei as calças”.      

No restante é uma moto de competição que vai muito além das RD e Gamma dos anos 1980. Chassi que permite ajustes em ângulo de direção, entreeixos, altura e posição de pilotagem, uso de diferentes links na suspensão traseira (ambas são Öhlins multiajustáveis) e uma série de opções definidas no momento da encomenda da moto: rodas forjadas OZ ou Marchesini, ou mesmo as SRT de carbono; pneu traseiro de 190, 195 ou 200 mm da largura; captação de dados de telemetria... Na prática a Suter se limita a revelar que a MMX supera 310 km/h, mas como toda 2 tempos a diversão está na entrega de potência abrupta que mantém entusiastas em todo o mundo e hoje representa a contramão da tendência de motos cada vez mais previsíveis e fáceis de pilotar.

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