Teste: a retrô com estilo off-road Triumph Street Scrambler

A Triumph continua ampliando sua linha de clássicas com variações que abordam novos estilos e tendências de customização do passado. Apresentada no fim do ano passado nos salões internacionais para estreia em meados deste ano na Europa, a Street Scrambler agora chega também ao Brasil resgatando o tradicional estilo das primeiras motos adaptadas para uso off-road. Não é a primeira vez que a Triumph tem uma scrambler na linha, o modelo já existia na geração anterior da Bonneville com motor 865cc refrigerado a ar que ao ser descontinuada permitiu à fabricante atualizar também este modelo.

A Street Scrambler foi criada sobre a base mais moderna da Street Twin, com motor de 900cc refrigerado a líquido, e não só tem melhor desempenho mecânico e performance dinâmica do que a antecessora como atualiza o design do que seria uma scrambler atual. Cromados, por exemplo, foram substituídos por componentes mais estilizados de aço inox polido ou com pintura em preto fosco. A linha geral de design, no entanto, permanece conectada a referências dos modelos de época e às modificações que proprietários e customizadores, na ausência de um modelo de fábrica, vinham realizando com a Bonneville nos últimos anos – diferentemente da Ducati Scrambler, que é uma concepção atual com referências sutis àquele estilo.

Prova que o estilo agrada foi não só a opinião unânime da equipe de redação como as abordagens elogiosas na rua durante o teste. O verde fosco desta unidade (outras opções de cores são preto e vermelho metálico) é outra feliz referência ao passado, cor parecida com a usada em 2012 numa edição limitada da Bonneville com o tema Steve McQueen, ator, piloto e proprietário de motos da marca que usava nos primórdios do off-road nos desertos californianos. A edição de 2012, também com banco solo e bagageiro, era por sua vez uma homenagem à famosa sequência do filme de guerra “Fugindo do Inferno” (1963), em que McQueen rouba uma moto de militares alemães (era uma Triumph customizada) para realizar manobras e fugir do acampamento no qual era prisioneiro.

O banco plano e mais comprido vem revestido de alcantara e tem um belo bagageiro de inox atrás, onde estaria o assento da garupa. Não há suportes ou pedaleiras traseiras, deixando assim o design scrambler mais autêntico, mas junto com a moto são entregues um banco traseiro e suportes com pedaleiras que você pode instalar conforme a necessidade ou pedir que já venham na moto ao retirá-la da concessionária. Outras mudanças que denotam a influência fora de estrada quando comparada ao modelo base Street Twin são o guidão mais largo, pedaleiras instaladas mais à frente (têm a borracha central removível e desenho “serrilhado” para maior aderência), protetor de cárter, escapamentos com saída lateral elevada e rodas raiadas pretas com aro 19” na dianteira e pneus para uso Metzeler Tourance, que além de somarem robustez ao visual são os mesmos que equipam grande parte das big trail. Para acomodarem o novo conjunto de rodagem os para-lamas tiveram o formato revisto.     

O estilo na prática

Apesar de o chassi ser uma mesma base para os três modelos da família 900cc (Street Twin, Cup e Scrambler) a geometria muda de acordo com a proposta: a Scrambler ganhou mais ângulo no cáster e seu trail também aumentou, são 25,6° e 109 mm contra 25,1° e 102,4 mm da Twin. Esta geometria na prática deixou a moto mais estável em alta velocidade e para andar sobre a terra, por outro lado é um pouco mais lenta para ser direcionada nas curvas, no que certamente os pneus também influenciam por conta da banda mais plana. Embora os cursos de suspensão de 120 mm sejam os mesmos da Twin as suspensões foram modificadas e atuam de maneira mais coerente com uso off-road leve. Importante frisar que as motos da família 900cc são essencialmente urbanas de estilos variados, o que neste caso permite rodar por estradas de chão batido passando por pequenos buracos sem qualquer problema ou fim de curso nas suspensões.

A posição de pilotagem é confortável e convidativa, o guidão tem boa altura para deixar os braços semi-flexionados e prontos para esterçar. Um pouco mais largo, mas não em excesso, o guidão não atrapalha no trânsito urbano entre os carros. O banco é macio e as pedaleiras baixas e pouco recuadas favorecem a boa ergonomia, bem como uma eventual pilotagem em pé. Um ponto ao qual nos atentamos durante todo o teste foi o calor emitido pelo escapamento na área próxima da perna, onde a Triumph inclusive instalou um segundo protetor térmico. Poderia ser um incômodo em trechos off-road e de tráfego lento, como acontece em modelos Ducati e Harley-Davidson, o que na prática não aconteceu. Nessas situações sentimos o aumento de temperatura como algo morno, mas que de calça não chega a ser desconfortável. O estilo da peça e o ronco mais alto e grave que emite compensam.      

O motor de 2 cilindros paralelos com defasagem de 270° mantém o torque característico para respostas rápidas em baixas e médias rotações, atinge o máximo de 8,2 kgf.m a apenas 3.230 rpm. Dá para se divertir bastante nas acelerações e até destracionar para fazer uma graça em estrada de chão (nela o controle de tração e o ABS podem ser desligados). Em nossos testes foi um pouco mais lenta que a Street Twin, no que a roda de maior diâmetro e os pneus de uso misto certamente têm participação: 0 a 100 km/h em 6s10, contra 5s51. Os sistemas de freio também são compartilhados com a família, porém os pneus e a calibragem da suspensão dianteira mais “mole” aumentam em alguns metros as frenagens, a 100 km/h precisou de 53,26 metros até a parada ante 50,99 metros da Twin.

Os atributos desta Triumph realmente encantam, seja pela estética ou pelo comportamento dinâmico competente e agradável. Entre as irmãs Street, para nós, é a mais versátil e divertida. Com a chegada do novo modelo os posicionamentos de preço foram revistos e agora colocam a Street Scrambler no topo desta linha: R$ 41.990, enquanto a café racer Street Cup passa a R$ 40.990 e a Street Twin a R$ 38.990. 

APLICATIVO



INSTAGRAM