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De repente o motor da moto começa a dar sinais de estar desgastado e "cansado"... O primeiro sintoma é a perda de potência, dificuldades para a partida a frio, diminuição constante e progressiva do nível de óleo lubrificante... Depois, aparece uma fumacinha no escapamento. O piloto continua a rodar e esses sintomas se agravam, ruídos vão surgindo até que um dia o motor "falece" travando repentinamente ou simplesmente "morre" sem dar mais sinais de vida. O diagnóstico: seu motor "fundiu", vítima de superaquecimento ou falta de compressão e terá que passar por uma retífica. Para muitos motociclistas "retífica" representa problemas sérios e gastos elevados. O custo da mão-de-obra depende do serviço necessário para deixar o motor "0Km" e também das peças, que podem variar de custo dependendo da marca e da qualidade.
De repente o motor da moto começa a dar sinais de estar desgastado e "cansado"... O primeiro sintoma é a perda de potência, dificuldades para a partida a frio, diminuição constante e progressiva do nível de óleo lubrificante... Depois, aparece uma fumacinha no escapamento.
O piloto continua a rodar e esses sintomas se agravam, ruídos vão surgindo até que um dia o motor "falece" travando repentinamente ou simplesmente "morre" sem dar mais sinais de vida. O diagnóstico: seu motor "fundiu", vítima de superaquecimento ou falta de compressão e terá que passar por uma retífica. Para muitos motociclistas "retífica" representa problemas sérios e gastos elevados. O custo da mão-de-obra depende do serviço necessário para deixar o motor "0Km" e também das peças, que podem variar de custo dependendo da marca e da qualidade.
Hospital
Um motor bem tratado roda mais tempo e outro, se mal cuidado, acaba indo mais cedo para a retífica (veja box). De qualquer forma, todos os motores se desgastam com o uso e o atrito prolongado entre suas partes móveis - pistões, anéis, bielas, virabrequim, etc. Esse desgaste, depois do motor desmontado, pode ser medido através das folgas entre os componentes e vão aumentando à medida que o motor é utilizado até um determinado limite de uso. Nesse momento, os componentes desgastados deverão ser trocados ou recuperados na retífica (veja glossário).
A sorveteira "desbasta" o cilindro
Nessas oficinas geralmente as peças a serem recuperadas já chegam desmontadas ficando o trabalho de retirada do motor da moto e sua desmontagem por conta das oficinas mecânicas. "A primeira etapa é realizar avaliação e medição de componentes para se determinar como será feita a recuperação" conta Paulo Antonio Bonfim, da Corremotor de São Paulo (SP). Ele conta que a maioria dos clientes (cerca de 80%) pede retifica da "parte de cima", um trabalho parcial que envolve apenas cilindro, pistão e anéis, justamente os componentes mais exigidos dentro do motor.
Nesses casos geralmente o diâmetro interno do cilindro é retificado (retirando a parte desgastada e acertando a superfície onde corre o pistão) para um novo valor padrão. Este diâmetro é sempre maior, já previsto pelos fabricantes de peças, variando para mais em 0,25 mm, 0,50 mm, 0,75 mm até 1,0 mm. Dessa forma, se permite ao motor passar, teoricamente, por até quatro retíficas de cilindro. Nesse trabalho, os componentes móveis como pistão, anéis, pino e trava de fixação são trocados por novos.
Paulo salienta que "um dos segredos de uma boa retífica é saber escolher entre as diversas marcas existentes já que um componente de baixa qualidade pode fazer todo o trabalho virar fumaça".
Ele acrescenta que em certos casos pode-se estender a retífica até valores maiores chegando a 1,5 mm e utilizando componentes especiais encontrados no mercado. Mas isso desde que a espessura final do cilindro não fique muito fina, a ponto de comprometer sua resistência.
Virabrequins recebem enchimento...
Complicações
Escolhidos os novos componentes e medidas do cilindro, todas as peças seguem para a retífica de cilindro feita rapidamente em uma máquina conhecida como "sorveteira". Nela o cilindro é centralizado e sua parte interna percorrida por uma ferramenta de corte em rotação constante, já ajustada para o novo diâmetro do cilindro. Depois de retificado e lavado, o cilindro recebe o kit de novos componentes que inclui pistão, anéis, pino e travas para serem "testados" com nova medição das folgas entre os componentes.
Se necessário, o cilindro poderá passar por um processo de brunimento (veja box) sendo desbastado mais alguns milésimos de milímetro até ser encontrado o "casamento" ideal entre as peças. Ainda na "parte de cima", há trabalhos mais complicados como o de desempeno do cabeçote ou o reassentamento de válvulas que exigem um meticuloso trabalho manual. Nesses casos é necessária a utilização de ferramentas especiais e material adequado para os desbastes como a "pasta para esmerilhar" utilizada no processo de abrasão.
Paulo Bonfin explica que, depois de terminado o serviço, é fundamental que toda a sobra de pasta seja cuidadosamente removida do cabeçote. Isso para que não fiquem restos nas sedes de válvula o que provocaria desgaste excessivo em poucos quilômetros.
Mas sem dúvida o trabalho mais difícil é na "parte de baixo" do motor que inclui virabrequim, rolamentos e bielas. Componentes que exigem precisão no manuseio de rebolos, tornos e prensas usados na desmontagem e alinhamento. Na maioria das motos atuais também se troca o kit de bielas e rolamentos mas em certos casos, como o de motos de maior cilindrada ou com peças difíceis de serem encontradas a recuperação é feita artesanalmente.
Para exemplificar, Paulo mostra virabrequins de Honda CB 400/450 comercializados à base de troca que passam por um complexo processo de enchimento com solda - feito manualmente - seguido de retífica, tratamento termo-químico e uma cuidadosa limpeza.
Camisa de cilindro ainda em fase de preparação
Ele conta que é necessária muita experiência de quem faz o trabalho além de um cuidado extremo com a "higiene" do componente depois do serviço. Tudo para evitar que detritos fiquem nas finas galerias de passagem do óleo lubrificante e que poderia comprometer o trabalho.
Concluindo, Paulo salienta que um motor bem retificado é quase "0 km" e pode durar muito se o piloto não o exigir demais - utilizando em média a até 3/4 de potência máxima - e seguir os itens de manutenção do Manual do Proprietário. Além disso, é fundamental utilizar os produtos e componentes recomendados pelo Manual evitando usar óleo de baixa qualidade, assim como filtros, giclês diferentes etc. Para ele, de nada adianta a retífica e a substituição de componentes se o piloto permanece com os maus hábitos... afinal, não existe motor ruim, apenas motor mal cuidado.
Sede de válvulas prontas para reinstalação
Um motor bem tratado se desgasta aos poucos, de forma uniforme e pode passar dos 100.000 km sem problemas. Por outro lado, motores mal amaciados, que trabalham com força total o tempo todo e sem atenção para itens básicos de manutenção como a troca do óleo, filtros e nível de lubrificante se desgastam prematuramente e podem nem chegar aos 10.000 km.
Ele explica que a troca periódica do óleo não visa apenas manter a qualidade do lubrificante e o nível correto no motor. O objetivo é promover a limpeza interna, eliminando detritos acumulados. Tais detritos podem entrar no motor ao trafegar em estradas de terra ou locais muito poluídos ou mesmo produzidos pelo próprio motor. São resultado do desgaste de discos de embreagem, dos gases de combustão e até partículas metálicas produzidas pelo atrito entre componentes.Ele acrescenta que outra causa freqüente para a "morte" rápida do motor é a ausência de manutenção periódica no carburador (ou carburadores) filtro de ar e limpeza de drenos, telas e filtros de óleo e até o uso de gasolina adulterada. Quando isso acontece, os dutos do motor podem se entupir comprometendo a lubrificação, e ele trabalha superaquecido - pelo maior atrito entre peças - se desgastando rapidamente. A situação é pior quando o motor trabalha muito acima da média de 3/4 de sua rotação máxima, um limite a ser respeitado, segundo Paulo.