Quatro Rodas

Comparativo trail 150: Honda Bros versus Yamaha Crosser

Chegada da Crosser 150 desafia o reinado da Bros com boas soluções para um uso urbano mais confortável

21/07/2014 10:24

Texto: Ismael Baubeta  Fotos: Mario Villaescusa

Desde o lançamento da Fazer 150, no ano passado, a Yamaha mostrou que quer competir em pé de igualdade com a Honda. A XTZ 150 Crosser agora mira a Bros, e pelo menos no que se refere a design a distância é grande. No desempenho as duas estão mais próximas, mas a Crosser se destaca. As duas fábricas pecaram ao colocar à venda uma versão de entrada com freio dianteiro a tambor, diferente do que acontece com Fazer e Titan, para economizar R$ 300. Vale o risco de sacrificar alguns metros nas frenagens? Lógico que não, é melhor fomentar o uso correto do freio para que o arcaico sistema seja definitivamente aposentado.

A Bros ficou com jeitinho de moto antiga, embora seu desenho não seja antiquado. Frente à Crosser, que tem apelo moderno e mais urbano, a Honda ficou para trás – até o painel evidencia isso. Parece que a Yamaha espelhou-se nas big trail e incluiu algumas soluções utilizadas nas grandonas. O para-lama falso abaixo do farol é a mais visível, mas ergonomia e conforto do banco também parecem inspirados nelas e dignos de elogio. No painel, uma combinação de conta-giros analógico com velocímetro digital, de ótima leitura.

A Bros tem boa posição de dirigir, mas o seu banco é mais estreito e reto nas laterais, sua espuma também é mais dura e depois de algumas horas rodando torna-se mais cansativo. A Crosser trata melhor o condutor, mesmo que ele tenha que passar o dia sobre a moto e à noite ainda entregar pizzas. Os motores destas motos não são capazes de empolgar, mas tem capacidade de oferecer segurança para rodar na cidade e, por que não, em deslocamentos curtos por rodovias.

A Crosser também foi melhor em nossas medições, tanto nas acelerações, como nas retomadas, seu motor enche mais rápido. A Bros tem relação final mais longa e isso a faz perder um pouco de força na saída, para um algum ganho de velocidade final. É bem verdade que as diferenças foram pequenas, mas para motos que têm 12,2 cv (Crosser) e 14 cv (Bros), passam a ser mais sensíveis.

O conjunto ciclístico das trail de 150cc são bem honestos e atendem à proposta de utilização pesada no dia a dia com mais desenvoltura em nosso asfalto maltratado, se comparadas às utilitárias Fazer e Titan. A vantagem adicional é permitir muita diversão nas incursões por estradas de terra batida ou trilhas.

As suspensões da Bros são um pouco mais macias que as da Crosser e tendem a transmitir ao corpo parte da energia absorvida pela suspensão. Também fica nítida a sensação de torção do conjunto. A boa ergonomia e o guidão aberto ajudam no controle, mas basta começar a deitá-la um pouco mais agressivamente para a sensação de instabilidade ser mais notada. A Yamaha por sua vez, está melhor no asfalto e é mais firme, contorna curvas com facilidade e praticamente não se mexe. Em terrenos acidentados, como estradas de terra ou trilha, ela se sai bem.

As duas motos testadas estavam equipadas com o sistema de freio a disco na dianteira e dão conta do recado. O tato no manete da Yamaha é mais borrachudo no início da frenagem, característica à qual a Yamaha insiste em não dar atenção nos modelos de baixa cilindrada. Depois de instantes ele ganha um pouco mais de pegada, mas não transmite a segurança do freio da Honda. A Bros oferece um tato mais preciso desde o início, transmitindo mais confiança e freando em menos metros.

Não há como negar, a Bros reina absoluta no ranking de emplacamentos, e provavelmente continuará por um bom tempo na liderança. A superioridade da Crosser provavelmente não vai lhe dar a liderança do segmento, mas o motociclista que está em busca de uma trail desta cilindrada agora tem mais uma ótima opção de compra para uso diário.

A matéria completa com todos os dados de medições - aceleração, retomada e frenagem - está na edição impressa de Duas Rodas de junho (465).

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