A origem do tradicional motor Ducati de 2 cilindros em L

Italianos aprimoraram motores de baixa cilindrada por décadas, até darem o próximo passo nos anos 1970

08/09/2020 10:09

A Ducati 900SS está diretamente ligada ao mundo das competições e à origem do tradicional motor italiano de 2 cilindros afastados por 90°, que vemos nas ruas e nas pistas até hoje. Esta esportiva “de rua” foi a evolução da primeira bicilíndrica da marca, que chegou ao ápice vencendo o Tourist Trophy de 1978 com Mike Hailwood. 

A inovação começava pela disposição dos cilindros, nem lado a lado como nas inglesas, nem afastados por uma pequena inclinação, como nos V2 americanos. Foi um grande passo para a performance das Ducati, que vinha desenvolvendo motores de 1 cilindro desde o pós-guerra. 

Os italianos começaram modestamente motorizando bicicletas com 48cc, passaram a criar as próprias motos de baixa cilindrada e a participar de competições, até que na década de 1950 houve um grande salto de engenharia com a chegada do engenheiro Fabio Taglioni. 

Com ele estreou o comando de válvulas que eliminou as molas para atingir rotações (e potência) mais elevadas, ainda numa 125cc. Batizado de comando desmodrômico, não dependia da mola para retorno e fechamento da válvula porque usava dois balancins atuando como pequenos braços, para empurrar a válvula para baixo e a puxar de volta. Isso melhorava a confiabilidade e evitava a “flutuação” por falta de sincronismo no movimento das duas, de admissão e exaustão, em rotações elevadas.   

A fórmula de Taglioni também recorria a taxas de compressão elevadas e foi avançando nos anos seguintes em motores de capacidade cúbica crescente, até atingir 450cc. O próximo passo foi partir para os motores de 2 cilindros, e para isso ele quis manter os cilindros tão independentes quanto possível, distanciando-os para obter mais espaço e refrigeração no intervalo de 90°.       

Assim nasceu a Ducati 750 GT, de 1971. Com 57 cv de potência, 185 kg a seco e desempenho suficiente para atingir 180 km/h, foi a nova e mais poderosa arma da marca para as competições na década de 1970. Paul Smart a batiou nas pistas vencendo a MV Agusta de Giacomo Agostini nas 200 Milhas de Imola, em 1972.

No ano seguinte a Ducati lançou a 750SS, de Super Sport, que trazia no motor algumas das melhorias utilizadas por Smart nas provas, como pistões mais leves e carburadores maiores. A potência da SS era elevada a 73 cv a 8.000 rpm, além de contar com a carenagem envolvendo o farol, dois discos de freio na dianteira e banco monoposto.

A ameaça das motos japonesas, cada vez mais potentes, levou a Ducati a ampliar o desempenho da 750SS com o aumento da capacidade cúbica no final de 1975. Na 900SS, de 864cc, o motor de 2 cilindros a 90° alcançou 80 cv a 7.500 rpm. Com ela Mike Hailwood venceu a prova na Ilha de Man, em 1978.

Também foram produzidas as variações GTS, sem carenagem e equipada com rodas raiadas; a SD trazia rabeta envolvente e rodas de liga leve; e a S2 vinha equipada com spoiler sob o motor e carenagem envolvendo o farol.

Estava consolidada a base do motor Ducati de 2 cilindros em fabricação até hoje, com refrigeração a ar e comando de válvulas desmodrômico das 2 válvulas, uma arquitetura que ainda equipa Monster 797 e Scrambler.

 

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