25/08/2026 08:28
A melhor maneira de saber se uma moto elétrica está preparada para o uso profissional não é colocá-la em um laboratório. É entregá-la para quem passa dez, doze horas por dia sobre duas rodas.
Foi esse caminho escolhido pela brasileira Auper, que iniciou uma nova etapa de testes da 600 CE em parceria com a PP Logística. Quatro motociclistas estão revezando duas unidades do modelo em entregas por aplicativo pelas ruas de São Paulo, submetendo a moto justamente ao tipo de utilização que mais exige de autonomia, desempenho, conforto e confiabilidade.
E existe mercado para isso. Segundo o Cebrap, mais de 455 mil pessoas trabalham com entregas por aplicativo no Brasil e cerca de 70% utilizam motocicletas. Apesar disso, os modelos elétricos ainda representam menos de 1% do mercado brasileiro de motos.
É justamente nessa distância entre potencial e realidade que a Auper pretende entrar.
Um dos participantes do teste é Paulo Barbosa da Silva, o Paulinho, entregador há seis anos. Acostumado a rodar até 12 horas diariamente, ele destaca principalmente a resposta imediata da 600 CE. Em uma jornada, percorreu 100 quilômetros consumindo 60% da bateria e recuperou praticamente toda a carga em cerca de 40 minutos.
Mas talvez o número mais interessante esteja no bolso.
Segundo Paulinho, sua moto a combustão consumia aproximadamente R$ 240 de gasolina por semana. Durante os testes com a elétrica, o gasto com recarga ficou próximo de R$ 15 semanais. A Auper afirma ainda que os custos de manutenção podem cair mais de 80%, principalmente pela redução de componentes e serviços periódicos.
Para Silvio Rotilli, CEO e cofundador da empresa, colocar a moto nas mãos de profissionais é uma etapa fundamental antes da comercialização. A lógica é simples: para o entregador, não basta uma elétrica ser econômica ou tecnológica. Ela precisa trabalhar. E muito.
A experiência com a PP Logística é apenas a primeira etapa. A Auper pretende ampliar gradualmente os testes e transformar o delivery em uma das principais aplicações da 600 CE.
Se os números registrados nessa fase forem confirmados em escala maior, a discussão sobre moto elétrica para entregadores pode deixar de ser apenas ambiental. Pode virar, principalmente, uma questão de matemática.