08/05/2026 17:21
O aumento constante dos custos para manter um automóvel tem levado cada vez mais brasileiros a rever seus hábitos de mobilidade. Entre combustível, seguro, manutenção, IPVA e estacionamento, o gasto mensal com um carro pode facilmente ultrapassar a marca de R$ 1 mil, pressionando o orçamento e impulsionando a busca por alternativas mais econômicas para os deslocamentos diários.
Neste cenário, soluções de mobilidade elétrica leve, como as bikes autopropelidas, ganham cada vez mais espaço especialmente nos grandes centros urbanos. O movimento acompanha o crescimento acelerado do segmento no Brasil. Dados recentes da Abraciclo apontam que a produção de bicicletas elétricas registrou alta de 142,3% em março na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 5.447 unidades fabricadas.
Para David Peterle, CEO da StreetGo, fabricante brasileira de autopropelidos, o avanço desse mercado está diretamente ligado à mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Segundo ele, a racionalização dos custos vem fazendo com que o carro deixe de ser a escolha automática para deslocamentos urbanos.
“Quando o consumidor coloca tudo na ponta do lápis, percebe que o carro deixou de ser uma solução tão vantajosa para o dia a dia. O autopropelido aparece como uma alternativa eficiente, econômica e com custos muito mais previsíveis”, afirma o executivo.
Na prática, a diferença entre os dois modais aparece principalmente nos custos recorrentes. Enquanto o automóvel exige uma cadeia contínua de despesas, o autopropelido concentra praticamente todo o investimento na compra e em uma manutenção bastante simplificada.
No caso dos carros, os gastos incluem combustível — que pode ultrapassar facilmente R$ 800 mensais — além de IPVA, seguro, revisões periódicas, troca de óleo, peças e estacionamento. Já os autopropelidos apresentam custos significativamente menores, com recarga elétrica de baixo valor, ausência de IPVA, licenciamento e emplacamento, além de manutenção mais simples e seguro opcional com custo reduzido.
Além da economia financeira, a mobilidade elétrica leve também entrega vantagens importantes em relação ao tempo de deslocamento. Em cidades marcadas por congestionamentos constantes, como São Paulo, alternativas compactas e ágeis ganham eficiência justamente onde o carro perde competitividade. Recentemente, a capital paulista registrou mais de 1.149 quilômetros de lentidão em um único dia, evidenciando o impacto do trânsito na rotina urbana.
Nesse contexto, a possibilidade de utilizar ciclovias, evitar congestionamentos e manter deslocamentos mais previsíveis torna os autopropelidos uma solução cada vez mais atraente para quem busca praticidade no cotidiano.
Outro fator que contribui para a expansão desse mercado é o enquadramento legal. De acordo com a Resolução CONTRAN nº 996/2023, bikes autopropelidas podem circular nas mesmas condições das bicicletas, desde que respeitem limites específicos de potência e velocidade. Com isso, não há exigência de CNH, emplacamento ou pagamento de IPVA, reduzindo ainda mais os custos de utilização e ampliando a acessibilidade desse tipo de mobilidade no Brasil.