28/07/2026 11:07
Texto e fotos: Edu Pincigher
Sabe quando um fabricante inventa uma nova proposta de veículo que faz tanto sucesso e vira referência absoluta? No mundo dos carros, você vai se lembrar do Ford EcoSport. No universo das duas rodas, a Honda fez exatamente isso com a icônica CB 500X. Ela reinou por uma década como a “moto total” do brasileiro: aquela que servia para ir ao trabalho na segunda-feira chuvosa, cortar o corredor nos engarrafamentos das grandes cidades e, na sexta à noite, amarrar a mala no banco para rodar 600 quilômetros rumo ao litoral ou ao interior.
Para a linha 2027, a Honda consolidou a transição da grife. Esqueça o "X". A bola da vez é a Honda NX500 2027, uma crossover que chega ao mercado custando a partir de R$ 46.260 e que traz como única novidade a introdução da belíssima cor Prata Metálico. Ela se junta aos tradicionais tons vermelho e preto perolizado, como o dessa unidade avaliada por DUAS RODAS.
Já tenho tempo suficiente nesse mercado de veículos, avaliando motos ou carros, para firmar uma lógica bem incoerente na essência, mas totalmente real na prática: o mesmo consumidor que critica preço nos fóruns de internet é o que acaba pagando mais caro na marca em que mais confia. Pois essa não parece ser a lógica da NX500? Ela custa cerca de R$ 10 mil a mais do que uma CFMOTO IBEX 450. Na verdade, o preço da NX é parelho ao da IBEX 700 (68 cv). Claro que a marca chinesa, seja pelo preço atrativo da 450 ou pela maior entrega de desempenho da 700, vai incomodar.
Mas até chegar ao grau de confiança que brasileiro tem em HONDA... (E isso sem contar a rede de 1.100 concessionárias). Na prática, ela é, sim, mais cara que a concorrência. Só que continua vendendo de 500 a 600 unidades mensais. A CB500X, sem ter de enfrentar tantas rivais com preços atrativos, vendia 415 unidades mensais em 2024. Isto é, a concorrência aumentou para a NX, só que as vendas, também.
Como é o produto em si?
O motor bicilíndrico paralelo de 471 cm³, DOHC de 8 válvulas, entrega 49,6 cv de potência máxima a 8.500 rpm e 4,5 kgf.m de torque a 7.000 rpm. O grande trunfo desse motor japonês é a linearidade e a forma como o torque aparece cedo. A Honda retrabalhou o mapeamento de injeção nesta geração para entregar respostas mais vigorosas em baixas e médias rotações.
Quando você está na estrada a 100 km/h, com garupa e bagagem, e se depara com um subidão de serra, você não precisa ficar esgoelando o motor ou reduzindo marchas. Você simplesmente enrola o cabo, o torque aparece e a moto mantém o ritmo com uma suavidade impressionante.
Se o motor é um velho amigo, a ciclística recebeu o banho de loja que justifica a evolução do projeto. A suspensão dianteira é uma Showa invertida de 41 mm (com 133 mm de curso), trabalhando em parceria com a traseira monoamortecida Pro-Link com regulagem de pré-carga. Na buraqueira implacável das nossas cidades, ou ao transpor emendas de viaduto e tampas de bueiro salientes, esse conjunto brilha. A moto copia as irregularidades com elegância: não é mole a ponto de oscilar nas curvas rápidas de asfalto, nem ríspida a ponto de castigar a sua coluna.
Um detalhe crucial que quase ninguém nota: a Honda conseguiu reduzir o peso das rodas de liga leve (cerca de 800g na dianteira e 700g na traseira). Menos peso não suspenso significa que a suspensão de forma mais eficiente e a moto fica nitidamente mais ágil em mudanças rápidas de direção. Ela deita nas curvas com a naturalidade de uma naked, mesmo calçando um pneu de aro 19 polegadas na dianteira (110/80-19) e 17 na traseira (160/60-17).
No quesito segurança e tecnologia, o painel TFT colorido de 5 polegadas é idêntico ao da irmã maior Transalp. A visibilidade é excelente sob qualquer luz do dia. Pelo joystick do punho esquerdo, você gerencia o HSTC (Controle de Tração Selecionável da Honda). Na cidade ou sob chuva, é um anjo da guarda obrigatório. Vai entrar na estrada de terra batida no fim de semana? Basta pressionar um botão, desligar o sistema e deixar a traseira escorregar de forma controlada. Os freios, com duplo disco flutuante de 296 mm na dianteira e pinças Nissin, oferecem uma mordida progressiva e incrivelmente segura, auxiliada pelo sistema ESS, que pisca as setas traseiras em frenagens de emergência para alertar quem vem atrás.
Vale?
Vamos ser muito francos e diretos: no mercado real das concessionárias, sabemos que o preço final praticado muitas vezes flutua acima do sugerido pela fábrica devido ao frete e à alta demanda. E sim, existem concorrentes de marcas entrantes que oferecem pacotes com mais cavalaria ou mais mimos eletrônicos pelo mesmo valor.
Mas a resposta para o sucesso avassalador da linha 500 da Honda não está nos fóruns de internet. E sim na rua. Comprar uma NX500 significa adquirir um passaporte de tranquilidade. Se você quebrar um manete ou precisar de uma revisão no interior do Alagoas... Isso gera liquidez de revenda no mercado de usados e absoluta tranquilidade para quem usa a motocicleta pra valer.
A Honda NX500 2027 não tenta ser uma moto trail radical e nem uma naked. Ela é a evolução de um conceito pragmático: uma motocicleta robusta, gostosa de pilotar, tecnologicamente atualizada e que não vai te dar dor de cabeça. Para quem busca a companheira definitiva para o dia a dia e para a estrada (de qualquer terreno) no fim de semana, a receita da Honda continua sendo bem desejável.