Quatro Rodas

Comparativo: Indian Springfield x Harley-Davidson Road King

Depois do nocaute no primeiro encontro, Harley se recupera graças a mudanças da linha 2017

18/02/2017 01:02

Os americanos são tradicionalistas e nacionalistas em matéria de moto. Harley-Davidson e Indian brigam há mais de um século pela preferência dos motociclistas, que acabam se dividindo como torcedores de times de futebol. A disputa já deixou o quintal do Tio Sam faz tempo e se instalou também no Brasil, para nossa sorte, porque agora o número de opções cresceu por aqui. O advento de concorrência é sempre positivo, e surtiu efeitos na Harley: antes conhecida por certa demora na modernização dos modelos, após o ressurgimento da Indian através do grupo Polaris vem renovando os produtos com novidades todos os anos.

O ápice deste processo de atualização da Harley-Davidson foi atingido com a chegada da linha 2017 incorporando o novo motor Milwaukee-Eight (homenagem à cidade sede e referência às 8 válvulas) e suspensões aprimoradas para a família Touring. Aproveitando o lançamento da bagger clássica Indian Springfield (também nome da cidade sede da fabricante) a reunimos com a H-D Road King 2017 para uma viagem em ritmo americano.

Ao subir nas motos fica patente a diferença de altura dos bancos, na Springfield a 660 mm do chão, enquanto o da Road King está a 715 mm. As posições de pilotagem também diferem, na Springfield você tem o guidão um pouco mais próximo do corpo e em posição natural para alcance das mãos, as plataformas mais adiantadas para manter as pernas relaxadas, e na Road King o guidão muito alto torna a posição menos agradável e mais cansativa para sustentar os braços, as plataformas próximas deixam as pernas mais dobradas e o banco de menor comprimento deixa claro que a moto é um pouco menor. Os dois bancos da Indian são mais confortáveis, especialmente o traseiro que além de maior não está inclinado para trás como o da Harley.

Damos a partida e já começamos a notar que o comportamento do V2 Milwaukee-Eight muda bastante, embora o ronco seja parecido e ainda vibre mais em marcha lenta que o Thunder Stroke da concorrente, funciona suavemente assim que é acelerado.  São 1.745cc no novo motor e um pouco mais de torque que o anterior (também chega mais cedo ao pico), 14,8 kgf.m a 3.250 rpm contra 14,4 kgf.m a 3.500 rpm. Na Springfield o torque é bem maior, são 16,5 kgf.m a 3.000 rpm produzidos pelo 1.811cc da marca, mas ao girar o punho a resposta inicial da Harley é mais rápida e os 20 kg a menos fazem diferença.  

Refinamento

Ondulações e curvas em maior velocidade na subida da serra da Cantareira, sentido Minas Gerais, colocaram à prova as mudanças nas suspensões das duas. A Springfield tem ângulo de direção menor do que as outras Indian da família Chief, para ser mais ágil, e adota as suspensões mais sofisticadas da família touring: garfo do tipo cartucho e amortecedor traseiro ajustável a ar, por meio de bomba manual. Continua muito macia, como nos outros modelos da marca, o que é bom para o conforto em ondulações, mas gera oscilação excessiva em velocidade, especialmente nas curvas. Na Road King o tom da troca de componentes foi o mesmo, buscando um funcionamento refinado com garfo do tipo cartucho e novo amortecedor de melhor ajuste. Ponto para a Harley pela regulagem do tipo de “registro”, bastando girar com a mão. O comportamento do garfo é claramente diferente, mais rígido ao passar por variações de piso, porém cedendo menos a oscilações em curvas rápidas, embora ainda aconteça a partir de certo ponto.  

Comandando os manetes de freio e embreagem as respostas variam bastante, apesar do sistema hidráulico o acionamento da embreagem da Harley continua pesado e cansativo na inevitável sequência de trocas no trânsito. Adicionalmente o engate das marchas da Indian é mais suave. A vantagem se inverte usando as alavancas da direita para freá-las, na Road King o ABS é sutil (o sistema da Springfield permite rápidas “cantadas” de pneu se acionado bruscamente).   

Depois do primeiro comparativo que publicamos em abril passado entre Road King 2016 e Chief Vintage, vencido em quase todos os quesitos pela Indian, este segundo round é a redenção da Harley. A moto melhorou muito e equilibrou a disputa, mesmo viajando junto com um modelo superior à Vintage do comparativo anterior. Ainda pode melhorar quanto ao conforto e em pontos de acabamento nos quais a Indian segue exibindo mais esmero, mas por R$ 75.400 contra R$ 91.990 da Springfield, ou mesmo R$ 89.990 da Chief Vintage (com malas de couro em vez das rígidas com abertura remota), a simplicidade da Road King em alguns aspectos pode ser compensada pelo preço.      

 

 

 

 

 

 

 

APLICATIVO



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