07/07/2026 09:55
Patinetes, scooters e outros veículos autopropelidos elétricos vivem um momento de franca expansão no Brasil. O avanço da mobilidade urbana sustentável e a busca por alternativas econômicas ao transporte tradicional fizeram essa categoria ganhar espaço rapidamente. Não por acaso, segundo dados da Abraciclo, os modelos elétricos foram o grande destaque da produção nacional em abril de 2026, tornando-se a segunda categoria mais fabricada do País, com 6.768 unidades produzidas.
O crescimento é positivo, mas também traz um desafio para quem está prestes a comprar seu primeiro equipamento. A explosão de marcas, modelos e especificações técnicas pode confundir consumidores que, muitas vezes, acabam priorizando apenas o preço e deixam de avaliar fatores que farão toda a diferença no uso diário.
Para David Peterle, CEO da StreetGo, informação passou a ser um dos principais itens de segurança na hora da compra. "Hoje existe uma oferta muito maior de produtos, o que beneficia o consumidor. Mas também aumenta o risco de escolhas equivocadas. É fundamental analisar a qualidade do equipamento, a confiabilidade da marca e a estrutura de pós-venda antes de fechar negócio", afirma. Segundo o executivo, um autopropelido deve ser encarado como um meio de transporte, e não como um simples equipamento de lazer. Por isso, o custo-benefício precisa ser analisado ao longo de toda a vida útil do veículo.
Entre os erros mais comuns está ignorar a legislação brasileira. Os equipamentos precisam atender aos requisitos estabelecidos pela Resolução CONTRAN nº 996/2023, que define limites de velocidade, potência e equipamentos obrigatórios, como iluminação, campainha e velocímetro.
Outro equívoco frequente é cair na tentação de ofertas muito abaixo da média de mercado. Produtos excessivamente baratos costumam utilizar baterias de procedência duvidosa, sistemas de freios simplificados e componentes de menor durabilidade, comprometendo tanto a segurança quanto a vida útil do equipamento.
A bateria, aliás, merece atenção especial. Mais importante do que a autonomia anunciada é verificar a origem das células, o tempo de recarga, a durabilidade e a facilidade de substituição quando chegar ao fim de sua vida útil. Também vale pesquisar a rede de assistência técnica e a disponibilidade de peças. Afinal, revisões, manutenção preventiva e eventuais reparos fazem parte da rotina de qualquer veículo.
A qualidade construtiva é outro fator decisivo. Freios eficientes, quadro reforçado, pneus adequados e um conjunto estrutural robusto garantem mais estabilidade e segurança para enfrentar buracos, desníveis e o trânsito das grandes cidades.
Por fim, o consumidor deve escolher um modelo compatível com sua rotina. Quem utilizará o veículo diariamente para ir ao trabalho precisa priorizar conforto, autonomia e confiabilidade. Já quem fará uso eventual pode valorizar aspectos como portabilidade e praticidade.
No fim das contas, comprar um autopropelido vai muito além de comparar preços ou autonomia. É uma decisão que envolve segurança, durabilidade e qualidade de vida. E, num mercado que cresce na velocidade da mobilidade elétrica, informação continua sendo o melhor investimento.