22/04/2026 13:22
No rally, não tem meio-termo: ou você administra o caos, ou ele te engole. E no Rally RN 1500, um dos mais duros do calendário nacional, quem ditou o ritmo foi Moara Sacilotti. A piloto saiu de Natal, atravessou mais de mil quilômetros de especiais cronometradas e terminou no topo da categoria Brasil — aquela reservada às motos de produção nacional — com autoridade de quem sabe exatamente onde está pisando.
A edição de 2025 não facilitou. Pelo contrário. Misturou o visual traiçoeiro do litoral potiguar com trilhas técnicas no sertão do Rio Grande do Norte e da Paraíba, antes de fechar a conta em Caruaru. Terreno variado, navegação exigente e desgaste físico constante — o pacote completo. E foi justamente nesse cenário que Moara construiu a vitória: constância, leitura de prova e zero espaço para erro.
“Vencer a categoria Brasil no RN 1500 tem um peso diferente. É uma prova que cobra tudo — ritmo, estratégia e resistência. Cruzar a chegada em Caruaru com o título é a síntese de uma preparação muito bem feita”, resume a piloto, sem rodeios.
Mas essa vitória não veio só na tocada. Veio também na evolução do conjunto. Competindo com a Kawasaki KLX300R, Moara mostrou que o projeto amadureceu. A moto, de base nacional, ganhou corpo ao longo dos testes e, mais importante, encaixou com o estilo de pilotagem exigido no rally raid.
“Foi construção. A moto evoluiu prova a prova, e hoje consigo extrair mais, principalmente nos trechos técnicos. Esse resultado valida o caminho”, explica.
Na prática, isso significa uma moto que entrega autonomia de até 220 km, tanque auxiliar integrado ao conjunto, ciclística preservada — leve e previsível — e um acerto de suspensão que aguenta do cascalho solto às trilhas mais travadas. O pacote ainda inclui freios herdados da linha KX, reforçando a proposta de performance com base em competição.
Do lado da fábrica, o discurso acompanha o resultado. Sonia Harue Ando, diretora comercial e de marketing da Kawasaki, destaca o que o cronômetro já deixou claro: “É um resultado que mostra consistência e evolução real do projeto em ambiente competitivo”.
E aqui vale o contexto. Moara não é novata no assunto. Com 25 participações no Rally dos Sertões, ela já viu de tudo no off-road. O título no RN 1500 não é um ponto fora da curva — é continuidade. É mais um capítulo de uma trajetória sólida dentro do Campeonato Brasileiro de Rally.
O RN 1500, por sua vez, segue cumprindo seu papel: mais de mil quilômetros de especiais, cerca de 200 competidores e um roteiro que mistura dunas, areia pesada e trilhas técnicas, cruzando três estados do Nordeste. Uma prova que não perdoa improviso — e justamente por isso, separa quem apenas participa de quem, de fato, compete.
No fim, o resultado fala por si. Quando piloto, máquina e estratégia entram em sintonia, o pódio deixa de ser ambição e passa a ser consequência.