09/08/2026 12:29
Mexer em um ícone talvez seja um dos trabalhos mais ingratos para qualquer designer. Mude pouco e será acusado de conservadorismo. Mude demais e corre o risco de destruir justamente aquilo que tornou o produto reconhecível. Pois a Ducati parece ter encontrado esse delicado ponto de equilíbrio com a nova Monster.
A quinta geração da naked italiana acaba de conquistar o Red Dot Design Award – Product Design 2026, uma das mais importantes premiações internacionais dedicadas ao design de produtos.
Criado em 1955, o Red Dot reúne anualmente um júri independente de especialistas internacionais para avaliar critérios como design, inovação, funcionalidade e estética. E, desta vez, os italianos de Borgo Panigale convenceram os jurados justamente pela maneira como atualizaram uma motocicleta com mais de três décadas de história.
A Monster nasceu em 1992 praticamente criando uma receita que depois seria perseguida por inúmeras fabricantes: uma naked esportiva, minimalista e sem elementos desnecessários. A própria Ducati resumiu essa filosofia numa frase que atravessou gerações: “Tudo o que você precisa, nada além.”
Parece simples. Não é.
Apresentada em 2025, a nova Monster nasceu de um projeto completamente renovado, apostando em menor peso, mais tecnologia e dimensões compactas, mas sem jogar fora os elementos que fazem uma Monster ser reconhecida como Monster.
Estão lá o farol emoldurado pelos “ombros” do tanque musculoso, o banco em peça única e aquela traseira curta e leve que sempre ajudou a construir a personalidade da naked italiana. Tudo reinterpretado com linhas mais modernas, limpas e esportivas.
Foi justamente essa capacidade de evoluir sem romper com o passado que conquistou o júri do Red Dot.
E a Monster está em boa companhia dentro da própria garagem de Borgo Panigale. A Ducati já havia conquistado a premiação com modelos como 1199 Panigale, em 2013; XDiavel S, em 2016; Diavel 1260, em 2019; Diavel V4, em 2024; e Panigale V4, em 2025.
Agora chegou a vez da Monster.
Mais do que colocar outro troféu na estante da Ducati, o prêmio confirma algo particularmente difícil na indústria: reinventar uma motocicleta que virou ícone sem apagar aquilo que fez dela um ícone.