19/02/2026 09:00
Há prêmios que reconhecem produtos. Outros reconhecem tendências. E há aqueles raros que legitimam uma obra. Ao conquistar o Good Design Award 2025, a Ducati Panigale V4 deixa de ser apenas uma superbike consagrada para se firmar como peça de design industrial em estado de arte.
Criado em 1950, em Chicago, por nomes como Eero Saarinen e Charles Eames (ao lado de Ray Eames), o Good Design Award é promovido pelo Chicago Athenaeum em parceria com o European Centre for Architecture Art Design and Urban Studies. Não se trata de um troféu protocolar, mas de uma chancela histórica de excelência estética e conceitual.
Para a Ducati, o feito tem peso ainda maior. Com o Good Design Award, somado ao iF Design Award 2025 e ao Red Dot Award 2025, a Panigale V4 completa uma tríplice coroa rara no universo do design global. Um hat-trick que confirma aquilo que já era evidente nas pistas e nas ruas: estamos diante de uma motocicleta que transcende a performance.
Agora em sua sétima geração, a superbike de Borgo Panigale evolui o conceito de integração entre forma e função. A aerodinâmica não é um apêndice técnico; é linguagem visual. As superfícies canalizam ar e emoção na mesma medida. Cada vinco, cada volume, cada proporção foi desenhada para cumprir dupla missão: eficiência dinâmica e impacto sensorial.
Há, ainda, um diálogo explícito com a história. A referência conceitual à icônica Ducati 916 não é nostalgia gratuita, mas releitura contemporânea. A 916 redefiniu o que era beleza sobre duas rodas nos anos 1990. A nova Panigale V4 assume essa herança e a traduz sob a ótica da engenharia moderna, alimentada pela experiência acumulada no Mundial de Superbike.
Andrea Ferraresi, diretor de Estratégia e do Centro Stile da Ducati, sintetiza bem essa filosofia ao afirmar que projetar uma Ducati é criar emoção à primeira vista — e confirmar essa promessa em movimento. Trata-se de uma visão em que estética e tecnologia não competem; dialogam.
Num cenário em que muitas superbikes convergem visualmente por imposições aerodinâmicas, a Panigale V4 consegue algo raro: manter identidade. É agressiva sem ser excessiva, compacta sem parecer comprimida, sofisticada sem perder a visceralidade.
O Good Design Award não transforma a Panigale V4 em algo diferente do que ela já era. Apenas oficializa o óbvio: a Ducati continua sendo uma das poucas fabricantes capazes de produzir máquinas que são, simultaneamente, instrumentos de competição e esculturas funcionais.
Beleza, aqui, não é ornamento. É desempenho. E isso, definitivamente, é design no mais alto nível.