25/05/2026 17:06
A paixão de Ayrton Senna pelas motocicletas nunca foi segredo. Longe do cockpit da Fórmula 1, era sobre duas rodas que o tricampeão brasileiro encontrava uma forma mais íntima – e talvez mais visceral – de se conectar à velocidade. Dessa afinidade nasceu uma das parcerias mais emblemáticas da indústria motociclística mundial: a união entre a Ducati e a marca Senna, responsável por criar uma linhagem de motos que transformou o sobrenome do piloto em sinônimo de exclusividade, potência e culto à performance.
Agora, mais de 30 anos depois da primeira homenagem, Ducati e Senna Brands protagonizaram uma cena histórica em Interlagos. Pela primeira vez, as três motos criadas em homenagem ao eterno ídolo brasileiro foram reunidas no “S do Senna”, um dos trechos mais simbólicos do automobilismo mundial.
A ação teve um peso emocional raro. Não apenas pela reunião das máquinas, mas pelo significado de conectar passado, legado e paixão em um dos palcos mais importantes da carreira de Ayrton.
“Neste ano celebramos os 35 anos da primeira vitória do Senna no Brasil. Reunir as três Ducatis em Interlagos é realmente algo especial”, destacou Bianca Senna, CEO da Senna Brands e sobrinha do piloto. “O legado do Ayrton continua atravessando gerações e diferentes universos da cultura da velocidade, sempre com a mensagem de que é possível se superar e alcançar novos objetivos.”
No centro da homenagem estava a lendária Ducati 916 Senna. Lançada em 1994, poucos meses antes da morte do piloto, a motocicleta contou com participação direta de Ayrton em seu desenvolvimento. Produzida em série limitada de apenas 300 unidades, a 916 Senna rapidamente se tornou objeto de desejo entre colecionadores. A combinação da carroceria em fibra de carbono com as rodas laranjas criou uma identidade visual imediatamente reconhecível, enquanto o motor de 916 cc e 114 cv entregava desempenho à altura do nome estampado no tanque: 263 km/h de velocidade máxima em uma época em que superbikes ainda buscavam consolidar sua aura mítica.
Duas décadas depois, a parceria voltaria às manchetes com a Ducati Panigale 1199 S Senna. Apresentada em 2014, a edição especial teve apenas 161 unidades produzidas — referência direta ao número de Grandes Prêmios disputados pelo brasileiro na Fórmula 1. Com um brutal motor Superquadro de 195 cv e apenas 166,5 kg, a Panigale transformava números em espetáculo: aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de três segundos e velocidade final próxima dos 300 km/h.
Já em 2024, no contexto das homenagens globais pelos 30 anos do legado de Ayrton Senna, a Ducati apresentou a Monster 937 Senna. Revelada durante o GP de Ímola, a naked italiana surgiu vestida com cores inspiradas no icônico capacete do tricampeão e limitada a 341 unidades — alusão aos três títulos mundiais e às 41 vitórias do brasileiro na Fórmula 1. Equipada com o motor Testastretta de 111 cv, a série especial esgotou todas as unidades em apenas 72 horas.
Quem teve o privilégio de conduzir a Monster Senna 001 em Interlagos foi Daniel Paixão, CEO da Ducati do Brasil. E a escolha do circuito paulista não poderia ser mais simbólica.
“Ayrton era apaixonado por velocidade e performance. E a Ducati traduz exatamente isso em suas motocicletas”, afirmou o executivo. “Reunir essas três motos em Interlagos é reviver uma parte importante da história da marca e da própria cultura da velocidade.”
Mais do que uma ação comemorativa, o encontro das três Ducati Senna deixa claro que algumas conexões ultrapassam o tempo. Porque existem pilotos que vencem corridas. Outros entram para a história. E há aqueles raros que conseguem transformar sua paixão em legado permanente — inclusive sobre duas rodas.