Ducati trabalha em moto elétrica de alta performance

Marca italiana não quer deixar por menos e está trabalhando para reduzir o tamanho do conjunto motor, bateria e sistemas eletrônicos

24/08/2026 15:30

A Ducati está trabalhando, de forma discreta, no desenvolvimento de uma futura motocicleta elétrica de alto desempenho. Uma nova patente da fabricante italiana revela uma solução técnica que busca tornar o conjunto formado por motor, bateria, eletrônica e sistema de refrigeração mais compacto, permitindo preservar as proporções e características de pilotagem típicas de uma Ducati. As informações são do site espanhol Híbridos y Eléctricos.

De acordo com o documento, o motor elétrico estudado pela Ducati poderá operar entre 17 mil e 20 mil rpm, com 18.500 rpm como regime preferencial. A elevada rotação lembra mais uma motocicleta de competição do que um modelo convencional de rua. Para aproveitar essa característica, o sistema utiliza um conjunto de engrenagens que reduz a velocidade de rotação e aumenta o torque antes de transmiti-lo à roda traseira por meio de uma corrente convencional. Não se trata, portanto, de um câmbio com diferentes marchas, mas de uma redução fixa.

Um dos principais objetivos da patente é diminuir a largura do conjunto motriz. A Ducati propõe instalar o sensor responsável por identificar a posição do rotor em uma região posterior do sistema, associado a um dos eixos ou engrenagens da redução, em vez de posicioná-lo diretamente no eixo transversal do motor. As engrenagens também podem ser distribuídas em diferentes planos paralelos, permitindo aproveitar melhor o espaço disponível e evitar que o conjunto fique excessivamente largo. A solução é especialmente importante em uma motocicleta, na qual dimensões e distribuição de massa influenciam diretamente a ergonomia, a estabilidade e a agilidade.

A experiência adquirida pela Ducati com a V21L, motocicleta desenvolvida para o campeonato MotoE, deve ser fundamental nesse processo. O modelo permitiu à fabricante acumular conhecimento em motores elétricos, baterias, refrigeração, eletrônica e integração do conjunto ao chassi. Esse aprendizado pode contribuir para o desenvolvimento de uma futura superbike elétrica de rua, embora a arquitetura também possa ser aplicada a outros segmentos. Os desenhos apresentados na patente indicam, por exemplo, uma motocicleta com características próximas às de uma Scrambler, mas a tecnologia poderia ser utilizada em modelos como uma futura Hypermotard elétrica.

Por enquanto, a patente não significa que a Ducati tenha confirmado uma motocicleta específica para produção. O registro de uma solução técnica apenas indica uma tecnologia que está sendo estudada pela empresa. Ainda assim, o documento oferece uma pista sobre a estratégia da fabricante: mais do que criar uma moto elétrica potente, a Ducati parece buscar uma arquitetura suficientemente compacta para que a eletrificação não comprometa o comportamento, as proporções e a identidade de suas motocicletas. O desafio, nesse caso, será fazer com que uma futura Ducati elétrica não seja apenas uma moto sem motor a combustão, mas que continue oferecendo a experiência característica da marca.

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