30/06/2026 12:49
Antes de qualquer discussão sobre sustentabilidade, existe uma realidade impossível de ignorar. O Brasil já ultrapassou a marca de 35 milhões de motocicletas registradas, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), consolidando-se como o quarto maior mercado de motos do planeta. São milhões de veículos que movimentam diariamente a economia, abastecendo o crescimento do delivery com entregas de alimentos, medicamentos, documentos e compras. É uma engrenagem que funciona, majoritariamente, graças aos motores a combustão.
Mas essa lógica começa a mudar. E não por imposição ambiental ou por novas legislações nacionais. A transformação vem do mercado.
A eletrificação das frotas deixou de ser um discurso de ESG para se tornar uma exigência estratégica. Grandes plataformas de entrega assumiram compromissos públicos de redução de emissões diante de investidores e organismos internacionais. E essas metas incluem toda a cadeia operacional, inclusive as motocicletas utilizadas pelos entregadores parceiros.
Na prática, isso significa que cada moto a combustão utilizada em uma operação de delivery passa a compor o inventário de carbono das empresas contratantes. “Mesmo sendo emissões indiretas, elas impactam os relatórios ambientais e influenciam decisões de investimento, acesso a capital e manutenção de contratos”, adverte Silvio Rotilli Filho, CEO da Auper, empresa brasileira especializada em tecnologia e mobilidade urbana.
Embora a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tenha flexibilizado recentemente a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade no Brasil, o cenário internacional segue em direção oposta. A Diretiva Europeia de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) exige que empresas reportem as emissões de toda a sua cadeia de valor, incluindo operações realizadas em outros países. Em outras palavras, uma entrega feita por uma motocicleta em São Paulo pode impactar o balanço ambiental de uma companhia sediada na Europa.
Essa mudança altera completamente a lógica do setor. "A motocicleta deixa de ser apenas um ativo operacional e passa a representar um indicador estratégico de competitividade", destaca Rotilli.
Os números também sustentam essa transformação. Levantamento realizado pela Auper demonstra que uma frota de 100 motocicletas elétricas demanda investimento significativamente menor ao longo da operação quando comparada a uma frota equivalente movida a combustão. Em operações com média de 6 mil quilômetros mensais por veículo, o retorno financeiro acontece em cerca de nove meses. Ao final de três anos, a economia acumulada pode chegar a R$ 6,5 milhões, impulsionada pelo custo por quilômetro até seis vezes inferior e pela redução de aproximadamente 62% nas despesas de manutenção.
Dentro das empresas, essa decisão já não pertence apenas ao departamento de sustentabilidade. O gestor de frota enxerga redução expressiva de custos operacionais. O responsável por ESG precisa cumprir metas públicas de descarbonização. O diretor financeiro avalia riscos comerciais e percebe que clientes e investidores passaram a exigir cadeias produtivas mais limpas.
Quando essas três áreas convergem para a mesma conclusão, a eletrificação deixa de ser uma tendência para se tornar uma necessidade competitiva. A transição energética do transporte urbano brasileiro dificilmente será marcada por uma única lei ou decreto. Ela acontecerá de forma silenciosa, por meio de cláusulas contratuais, exigências de compliance e critérios de contratação que premiarão empresas preparadas e excluirão aquelas que insistirem em modelos ultrapassados.
Nesse cenário, a inovação desenvolvida por empresas como a Auper ganha relevância. Especializada em tecnologia aplicada à mobilidade urbana, a companhia desenvolve soluções próprias de hardware e software para motocicletas elétricas, combinando conectividade, controle operacional, segurança e eficiência. Mais do que fabricar tecnologia, a empresa aposta em um novo modelo de gestão de frotas, preparado para atender às demandas de um mercado que já começou a mudar.