20/02/2026 14:21
No fim dos anos 1990, a Honda CB600F Hornet não foi apenas uma novidade de mercado. Ela redefiniu o que se entendia por naked esportiva: compacta, visceral, acessível e, sobretudo, divertida. Era a síntese da motocicleta que não precisava de carenagem para entregar emoção. Saiu de linha como um ícone — uma das Honda mais adoradas de sua geração — e deixou uma lacuna que nenhuma substituta conseguiu preencher com o mesmo carisma.
Mais de duas décadas depois, a Honda decide que Hornet não é apenas um nome: é um ativo emocional. E o retorno acontece de forma estratégica. Primeiro com a Honda CB500 Hornet, depois com a nova Honda CB750 Hornet. Não se trata de revival nostálgico, mas de reposicionamento. A marca japonesa entendeu que o segmento naked evoluiu — e que a disputa agora é por tecnologia, performance utilizável e identidade.
A CB750 Hornet é o centro dessa estratégia. Ela entra em um dos nichos mais competitivos do mercado, onde agilidade, torque e eletrônica embarcada são pré-requisitos. E faz isso com personalidade própria.
O projeto nasceu no centro de pesquisa da Honda em Roma, Itália, e o desenho reflete essa escola europeia: linhas tensas, tanque musculoso inspirado na asa de uma vespa (hornet, em inglês), rabeta minimalista e um conjunto óptico full-LED compacto e agressivo. Não há excesso. Há intenção. É uma naked que comunica movimento mesmo parada.
O coração da nova Hornet é um bicilíndrico paralelo de 755 cc, com 69,3 cv e 7,04 kgf.m de torque. Mas os números contam apenas parte da história. O virabrequim a 270° entrega aquela pulsação característica, próxima à sensação de um V2, privilegiando torque em médias rotações — exatamente onde a diversão mora na estrada real. É uma moto pensada para responder cedo, sair forte de curvas e tornar retomadas quase instintivas.
O comando Unicam, herdado da experiência off-road da marca, reforça eficiência e compacidade. A embreagem assistida e deslizante suaviza reduções mais agressivas, enquanto o acelerador eletrônico (TBW) permite cinco modos de pilotagem — incluindo dois personalizáveis. O pacote combina controle de tração HSTC integrado ao controle de empinada, níveis ajustáveis de potência e freio-motor. Em outras palavras: a Hornet é analógica na sensação, digital na gestão.
Na ciclística, a coerência continua. O chassi Diamond de aço pesa apenas 16,6 kg e equilibra rigidez com flexibilidade controlada. A suspensão Showa SFF-BP de 41 mm na dianteira e o monoamortecedor Pro-Link atrás garantem leitura precisa do asfalto. O conjunto transmite confiança. E confiança é o que permite explorar.
Com 180 kg de peso seco, entre-eixos de 1.420 mm e pneus 120/70 na frente e 160/60 atrás, a receita privilegia agilidade sem sacrificar estabilidade. As pinças radiais de quatro pistões e os discos duplos de 296 mm reforçam o caráter esportivo, com modulação previsível. O painel TFT de 5 polegadas, os piscas com cancelamento automático e o sistema ESS mostram que a modernidade aqui não é cosmética. É funcional.
Por R$ 53.694, com três anos de garantia e assistência internacional, a CB750 Hornet não tenta apenas reviver um nome. Ela reposiciona a Honda no centro da conversa sobre naked médias. A Hornet sempre foi sobre equilíbrio entre razão e emoção. Agora, ela adiciona software à equação — sem perder o ferrão.