Himalayan 750 estreia no Salão de Milão

Big trail vai trazer pacote eletrônico completo. Royal Enfield também apresenta Continental GT 750, scrambler elétrica e edição especial da Shotgun 650

04/11/2026 07:48

A Himalayan ganhou um segundo cilindro, mais capacidade para viajar e uma lista de equipamentos que inclui até controle de cruzeiro. Apresentada pela Royal Enfield em Milão, a nova Himalayan 750 ainda não tem chegada confirmada ao Brasil. A aventureira estreia um motor de 743 cm³ que também será utilizado pela Continental GT 750, outra novidade da marca no evento italiano.

É uma mudança significativa para uma família que nasceu com uma proposta simples: permitir que mais motociclistas se aventurassem por estradas e trilhas sem precisar de uma moto grande ou complicada. Uma década depois da primeira Himalayan, a Royal Enfield amplia essa receita para atender quem pretende viajar mais longe, inclusive com garupa e bagagem.

O novo motor é um bicilíndrico paralelo com refrigeração a ar e óleo. Entrega 63 Nm de torque, equivalentes a aproximadamente 6,4 kgf·m, a 5.000 rpm. Segundo a fabricante, 90% dessa força já está disponível a partir de 3.500 rpm. A potência não foi informada no material de apresentação.

Na prática, a promessa é de um motor que não exija tantas trocas de marcha para manter o ritmo, especialmente em retomadas e nas viagens com carga. Mas será preciso esperar pelo primeiro contato para saber como ele se comporta — e quanto a nova Himalayan pesa, outro dado ausente no comunicado.

A eletrônica chama tanta atenção quanto o motor. A 750 terá cinco modos de pilotagem e uma central inercial de seis eixos, que permite o funcionamento do ABS em curvas e do controle de tração sensível à inclinação. O controle de cruzeiro completa o pacote de assistências anunciado.

Nas rodas, a Royal Enfield adotou a combinação de 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira. Haverá opções de liga leve ou raiadas, ambas com pneus sem câmara. Para-brisa ajustável, bancos separados para piloto e garupa e capacidade de carga útil de 195 kg reforçam a proposta de uso em viagens.

Os preços já foram anunciados para alguns mercados europeus. Na Itália, a versão de entrada, com rodas de liga e pintura Aztec Green, custará 7.390 euros. As configurações com rodas raiadas, nas cores Viking Bronze e Siberia White, sairão por 7.790 euros.

A mais equipada será a Antarctic Silver, de 9.290 euros, com um conjunto de bagagem desenvolvido em parceria com a Givi. São valores do mercado italiano, sem relação direta com um eventual preço brasileiro.

O mesmo motor, outra intenção

Se na Himalayan o novo bicilíndrico tem a missão de ampliar os horizontes das viagens, na Continental GT 750 o objetivo é dar mais fôlego à café racer. A Royal Enfield afirma que ela será sua motocicleta de maior desempenho até hoje, embora ainda não tenha divulgado os números que sustentam a promessa.

A GT utiliza uma versão aprimorada do motor de 743 cm³ e terá duas configurações. Uma mantém a silhueta tradicional, sem carenagem. A outra recebe carenagem e guidão mais baixo, aproximando a posição de pilotagem de uma proposta esportiva.

A marca também anuncia avanços nos materiais e nos componentes, mas sem detalhar todas as alterações. O discurso é de preservar o caráter analógico da moto, com tecnologia integrada de forma discreta. Na instrumentação, isso aparece em um conjunto híbrido com duas telas TFT.

As motos exibidas em Milão traziam as cores Red Line, TT Blue e Master Clean, distribuídas entre as duas versões. Preços e datas de comercialização não foram informados.

A Royal elétrica também quer sair do asfalto

A apresentação reservou espaço para uma proposta bem diferente das novas 750. A Flying Flea S6 é uma scrambler elétrica, desenvolvida a partir da estrutura da C6, com banco inspirado nas motos de enduro e uma configuração voltada a enfrentar também pisos irregulares e caminhos de terra.

A Flying Flea é a marca de elétricas da Royal Enfield. Na S6, a fabricante destaca a leveza, a agilidade e o torque, mas ainda não revela potência, peso, capacidade da bateria ou autonomia. Sem esses dados, fica difícil dimensionar até onde vai sua vocação aventureira.

O que já está anunciado é a presença de assistências eletrônicas, modos de pilotagem e uma configuração específica para uso fora de estrada. Uma tela redonda sensível ao toque utiliza o sistema Fleaware.OS para reunir as funções de conectividade.

A S6 será oferecida nas cores Amarelo Dart e Cinza Lightning, com lançamento previsto para o verão de 2027 no Hemisfério Norte.

Só 100 Shotgun “Son of a Gun”

Enquanto as novas 750 e a Flying Flea apontam os próximos caminhos da fabricante, a Shotgun 650 “Son of a Gun” explora a customização. Criada em colaboração com a Deus Ex Machina, a moto dará origem a uma série de apenas 100 unidades, destinadas ao mercado global em 2027.

A pintura mistura vermelho profundo, creme e dourado, com grafismos exclusivos no tanque e nas laterais. O conhecido bicilíndrico de 650 cm³ recebe tampas em preto brilhante, acompanhado por rodas de liga com acabamento contrastante.

Banco de couro marrom com bordado da Deus e manoplas na mesma cor completam o conjunto. Cada comprador também receberá uma jaqueta exclusiva da parceria, com forro inspirado na pintura da motocicleta.

No ano de seu 125º aniversário, a Royal Enfield aproveitou ainda o evento para apresentar a coleção de roupas 1901. Ela estreia uma identidade visual renovada, que será aplicada gradualmente aos produtos e às concessionárias da marca.

 

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