02/09/2026 18:17
A Honda resolveu mexer bastante na CB300F Twister para 2027. Mas fez isso sem alterar justamente aquilo que sempre foi uma das principais virtudes da moto: sua receita mecânica. Motor e chassi permanecem praticamente os mesmos. As grandes novidades estão na eletrônica, suspensão, segurança e visual. Tudo foi mostrado durante o Suhai Festival Interlagos 2026, no mês passado.
E não são mudanças pequenas. A Twister finalmente ganha controle de tração HSTC, suspensão dianteira invertida Showa SFF-BP e ABS nas duas versões. Com isso, desaparece do catálogo a antiga opção CBS. A linha passa a ser formada pela CB300F Twister ABS, por R$ 26.880, e pela nova CB300F Twister S, mais esportiva, que custa R$ 27.680.
É uma atualização importante principalmente porque o mercado mudou. A Twister continua líder de sua categoria, mas passou a conviver com concorrentes cada vez mais equipadas. E a Honda respondeu colocando na sua naked de 300 cm³ tecnologias que até pouco tempo atrás estavam associadas a motos maiores e mais caras.
A principal novidade talvez seja o HSTC, o controle de tração da Honda. O sistema monitora a roda traseira e atua quando identifica perda de aderência durante a aceleração, especialmente útil em piso molhado ou escorregadio.
Outra mudança que chama atenção imediatamente é a nova suspensão dianteira invertida Showa SFF-BP, com tubos de 38 mm e curso de 130 mm. Além da vantagem técnica, ela também muda bastante a aparência da Twister. Os tubos externos dourados dão à moto aquela cara de naked de maior cilindrada.
O motor, por outro lado, segue conhecido. É o monocilíndrico FlexOne de 293,5 cm³, quatro válvulas e refrigeração a ar. Entrega 24,7 cv com etanol e 24,5 cv com gasolina, enquanto o torque chega a 2,67 kgf.m. O câmbio continua com seis marchas e embreagem assistida e deslizante.
Também há novidades menos visíveis, mas importantes. O sistema HISS passa a proteger a moto contra furtos por meio de uma chave codificada eletronicamente. O ESS aciona automaticamente os piscas em frenagens bruscas e os indicadores de direção dianteiros agora permanecem acesos como luzes de posição.
Até o conhecido painel LCD blackout recebeu atenção. A Honda adotou a tecnologia Optical Bonding, que reduz os reflexos provocados pela luz solar e melhora a leitura das informações. A tomada USB-C foi mantida.
Visualmente, as carenagens laterais do tanque ficaram mais agressivas e o para-lama dianteiro também é novo. Na Twister S, a Honda foi além: há grafismos exclusivos, frisos vermelhos nas rodas, mola traseira vermelha e uma capa que ocupa o lugar do banco do passageiro, criando aparência de monoposto. O banco convencional acompanha a moto.
Na ciclística, o conhecido chassi tubular de aço tipo Diamond foi preservado. Os freios agora são ABS obrigatoriamente nas duas versões, com disco de 276 mm na dianteira e 220 mm atrás.
No fundo, a Honda fez uma escolha bastante lógica. Em vez de reinventar sua naked mais vendida, preservou aquilo que já funcionava e atacou justamente os pontos nos quais a Twister começava a demonstrar a idade diante de rivais mais recentes.
Controle de tração, suspensão invertida e ABS de série não transformam a CB300F em outra moto. Mas fazem a Twister chegar a 2027 muito mais preparada para uma briga que ficou consideravelmente mais difícil.