Quatro Rodas

Juno, o scooter que tinha demais

Os scooters se popularizaram no pós-guerra e a recém-criada Honda não quis ficar de fora; conheça a história do inovador Juno e saiba por que ele fracassou

27/07/2016 10:40

A origem do scooter não é italiana, embora Vespa e Lambretta tenham popularizado o conceito em todo o mundo logo após a 2ª Guerra Mundial. Modelos rudimentares do início do século tiveram origem na motorização de patinetes – enquanto as motos vieram das bicicletas – já usando plataforma para os pés, rodas pequenas e motor e tanque traseiros, nos Estados Unidos. Fabricantes como Powell e Cushman produziam scooters com a estrutura básica que vemos até hoje antes mesmo da 2ª Guerra, quando o prático e simpático veículo ganharia o mundo através das forças armadas americanas.

Cushman Airborne e Powell Streamliner foram projetados para o lançamento com paraquedas a partir de aviões e serviram como meio de transporte em curtas distâncias, por exemplo, quando era preciso transmitir mensagens dentro das bases. Foi assim que o scooter chegou à Europa e Japão, servindo de modelo para a criação de Vespa, Lambretta, Fuji Rabbit e Mitsubishi Silver Pigeon praticamente ao mesmo tempo, a partir de 1946. O Streamliner foi a principal fonte de inspiração dos novos veículos de baixo custo criados nos países bombardeados do Eixo, que também tinham a conveniência de aproveitar sobras de estoque das pequenas rodas dos caças para a produção de veículos baratos. A principal diferença dos modelos italianos era a transmissão que exigia trocas de marcha, enquanto os “originais” americanos já detinham a tecnologia automática da relação continuamente variável CVT.

As hoje gigantes Honda e Yamaha sequer existiam nessa época, mas pouco depois de serem criadas copiando itens de modelos alemães (BMW, DKW, NSU e Zündapp) em suas primeiras motos, respectivamente em 1949 e 1955, também enveredaram pelo mercado de scooters. A Honda foi a primeira, ao lançar o Juno em 1954 com partida elétrica, para-brisa que tinha um para-sol na extremidade e fartas carenagens de fibra de vidro pintadas de verde metálico. O motor de 4 tempos e 1 cilindro tinha 190cc, mas logo foi substituído pelo de 220cc que produzia 9 cv, embora o peso seco de até 190 kg ainda fosse excessivo. As peças de fibra eram mais pesadas do que o esperado, o motor superaquecia na traseira fechada e a necessidade de operar o câmbio quando outros concorrentes japoneses já produziam modelos automáticos também foi determinante para seu fracasso. Menos de seis mil foram produzidos em um ano e meio.

Segunda geração

A Honda passaria a apostar nas motonetas Super Cub de 50cc como modelo mais acessível da linha, seria o primeiro a se beneficiar da tecnologia das carenagens plásticas que se tornariam parte indissociável de sua identidade por conta dos anteparos brancos na dianteira – tornou-se seu modelo mais vendido em todo o mundo, em especial na Ásia. Os scooters nunca foram esquecidos pela marca, e o lançamento do Yamaha SC-1 em 1960 provavelmente foi um impulso para que uma nova geração do Juno fosse apresentada no final de 1961, com a missão de corrigir os erros do passado.

O Juno de 1962 (fotos) tinha linhas retas mais modernas que diferenciavam seu design dos outros modelos existentes até então, inclusive europeus. Desta vez vinha com um motor de 2 cilindros opostos exposto na frente (125cc logo ampliado para 170cc de 12 cv), seguido da transmissão automática por sistema hidráulico ocupando a porção central. Painéis plásticos foram aplicados estrategicamente sobre o monocoque de aço, sem que toda a estrutura fosse coberta, a exemplo dos amortecedores e do tanque aparentes, este pintado de verde e localizado embaixo do banco. O Juno da segunda geração pesava cerca de 20 kg a menos que o antecessor, mas ainda era mais pesado e caro que os concorrentes, sendo novamente descontinuado após menos de 6 mil unidades produzidas.

Nos anos seguintes a Honda se dedicaria a desenvolver as motocicletas, sofisticá-las e se estabelecer no mercado internacional, em especial o europeu e o americano. Venceria competições de nível mundial ainda na mesma década e nos anos 1970 conquistaria o mundo com a linha CB, mantendo as acessíveis motonetas em produção, até que os scooters da marca voltariam em peso na década seguinte para fazer sucesso e nunca mais deixar a linha.

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