Lançamento: chega a Kawasaki Z1100

Menos visceral do que a Z1000, a nova Z1100 estreia refinada tecnologicamente e com pilotagem mais dócil

26/02/2026 12:13

Texto: Edu Pincigher // Fotos: Vicente Fotografias

Há motos que surgem para preencher lacunas. E há motos que surgem para reafirmar território. A nova Kawasaki Z1100 não pede licença: ela finca o pé no chão e declara, com todas as letras em verde-limão, que ainda existe espaço para uma supernaked aspirada raiz em um mundo cada vez mais eletrônico — e cada vez mais domesticado.

A Kawasaki chama isso de “Despertar Sugomi”. Marketing? Também. Mas, no caso da linhagem Z, há coerência histórica. Desde que a Z1000 de 2014 apresentou oficialmente a filosofia Sugomi — aquela combinação de postura agachada, olhar baixo e tensão acumulada — a marca japonesa entendeu que design não é ornamento. É manifesto.

A Z1100 parte desse princípio. Não é uma ruptura. É uma evolução por convicção. A silhueta segue condensada, a dianteira permanece baixa e agressiva, e o conjunto transmite aquela sensação de que a moto está pronta para saltar mesmo parada no descanso lateral, causada, principalmente, pelo tanque bem “musculoso”.

Mas não se vive só de expressão estética. Sob a carenagem pulsa um quatro cilindros em linha de 1.099 cm³, entregando 136 cv a 9.000 rpm e 11,5 kgf.m de torque a 7.600 rpm. Números que não tentam ganhar campeonato de ficha técnica, mas se preocupam com uma entrega “utilizável”. A Z1100 ficou muito mais dócil para pilotos menos experientes.

A Z1100 ocupa o topo da linha supernaked aspirada da marca. A Z900 continua sendo a equilibrada, a porta de entrada musculosa. A Z H2 vive em outra dimensão, superalimentada, quase experimental. A 1100, por sua vez, representa o meio-termo visceral. É potência suficiente para emocionar, mas ainda ancorada na previsibilidade de um motor aspirado, com respostas lineares e som mecânico genuíno.

E se a proposta é visceral, a tecnologia entra para lapidar — não para anestesiar.

A IMU de seis eixos coordena um arsenal eletrônico que inclui KCMF, KTRC e KIBS. Traduzindo: controle de tração refinado, gerenciamento de curvas e um sistema de freio que conversa com a ECU do motor. É o tipo de pacote que permite abusar da mão direita com mais segurança, sem transformar a experiência em videogame.

O quick shifter bidirecional ajuda a manter o ritmo, enquanto o acelerador eletrônico viabiliza modos de potência — Full ou aproximadamente 75% — e até cruise control. Sim, cruise control numa supernaked de 136 cv. Pode soar paradoxal, mas revela maturidade de projeto: não se trata apenas de atacar curvas de serra, mas também de cruzar quilômetros de asfalto com conforto.

A ergonomia mudou. O guidão está 13 mm mais à frente e 22 mm mais largo no total. Pequenos números que alteram sensações grandes. A posição continua levemente inclinada, mas menos radical que no passado. É agressiva sem ser punitiva.

No conjunto ciclístico, a versão padrão traz suspensão Showa SFF-BP invertida na dianteira e sistema Horizontal Back-Link atrás. Já a versão SE sobe o nível: freios Brembo M4.32, discos Brembo, mangueiras em malha de aço e suspensão traseira Ohlins S46. Aqui, não há meio-termo. A SE é para quem quer o pacote completo — sem concessões.

O painel TFT de 5 polegadas, conectividade via Rideology e iluminação full LED mostram que tradição e modernidade podem coexistir. A Kawasaki não tenta parecer futurista. Prefere parecer consistente.

No fim das contas, a Z1100 não quer ser a mais potente do segmento. Quer ser a mais fiel à própria identidade. Em um mercado cada vez mais segmentado e eletrificado, ela aposta na equação clássica: quatro cilindros aspirados, chassi comunicativo, design provocador e eletrônica como suporte — não como protagonista.

Sugomi, afinal, não é sobre números. É sobre presença. E a Z1100 faz questão de deixar claro que ainda há espaço para motos que falam mais com o instinto do que com a planilha. A Kawasaki posicionou a Z1100 a partir de R$ 74.990, chegando a R$ 84.990 (ambas sem frete) na versão SE.

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