13/02/2026 09:27
Uma pesquisa inglesa revelou que o ofuscamento causado pelos faróis tem levado motoristas a evitar pilotar à noite. De acordo com informações publicadas pelo site Motorcycle News, com base em levantamento do Royal Automobile Club (RAC), mais da metade dos condutores afetados pelo problema acredita que a situação piorou no último ano. O estudo, realizado em janeiro de 2026 com 1.745 motoristas no Reino Unido, mostrou que 57% percebem aumento do brilho excessivo, enquanto 94% afirmam já terem sido ofuscados por veículos em sentido contrário — sendo que 32% enfrentam isso regularmente.
O impacto vai além do desconforto. Segundo a pesquisa, 33% dos motoristas dizem se sentir menos seguros ao dirigir à noite e 25% relatam perda de confiança ao guidão. Entre os mais jovens (até 35 anos) e os idosos (acima de 75), o efeito é ainda mais significativo: muitos já reduziram ou até deixaram de guiar após o anoitecer. Além disso, 63% afirmam sofrer ofuscamento vindo de veículos atrás, situação difícil de evitar, especialmente em estradas escuras.
Embora o levantamento tenha sido realizado no Reino Unido, o tema dialoga diretamente com a realidade brasileira. Nos últimos anos, o mercado nacional viu crescer a presença de veículos com faróis de LED e luzes de tonalidade mais branca e intensa. Em rodovias mal iluminadas — especialmente nas regiões rurais —, o contraste pode ser ainda mais crítico. Motociclistas também estão entre os mais vulneráveis, já que a exposição direta ao facho de luz pode comprometer a visibilidade por alguns segundos, aumentando o risco de acidentes.
Outro ponto levantado é que o problema não se limita aos faróis dianteiros. Quatro em cada dez motoristas relatam ofuscamento provocado por luzes de freio. Apesar de muitos carros modernos oferecerem iluminação mais potente, mais da metade dos entrevistados que perceberam faróis mais fortes em seus veículos não identificou benefícios práticos na visibilidade.
Especialistas defendem maior debate regulatório e campanhas educativas. Para o mercado brasileiro — que combina frota envelhecida com modelos de última geração circulando lado a lado — o desafio pode ser ainda maior. A discussão sobre padronização, regulagem correta dos faróis e conscientização dos condutores pode ganhar espaço nos próximos anos, especialmente à medida que a tecnologia de iluminação automotiva evolui.