21/09/2026 07:55
Toda moto pode desaparecer do campo de visão de um motorista. Não por descuido do motociclista, necessariamente, mas porque carros, ônibus e caminhões possuem áreas que não aparecem nem nos retrovisores. São os chamados pontos cegos, especialmente perigosos durante mudanças de faixa, conversões e aproximações em cruzamentos.
Por ser menor e se deslocar com mais facilidade entre os veículos, a motocicleta pode entrar rapidamente nessas áreas. A regra mais segura, portanto, é simples: não permaneça ao lado de um veículo por mais tempo do que o necessário.
Uma referência prática é observar o retrovisor do carro ou caminhão. Se o motociclista consegue enxergar o rosto do motorista pelo espelho, existe uma boa chance de também estar sendo visto. Se esse contato visual desaparece, é sinal de que a moto pode ter entrado no ponto cego.
“É importante avaliar o posicionamento e, com segurança, buscar uma posição em que possa ser percebido com mais facilidade”, explica Hélio Mazzarela, instrutor do Yamaha Riding Academy, programa de treinamento de motociclistas da fabricante.
Isso não significa acelerar bruscamente ou mudar de posição sem avaliar o trânsito. A saída do ponto cego precisa ser previsível. Antes de qualquer deslocamento, o motociclista deve conferir o espaço disponível, sinalizar a manobra e evitar movimentos repentinos.
Movimento também ajuda a moto a ser percebida
Em cruzamentos ou locais com pouca visibilidade, pequenos deslocamentos laterais podem ajudar. O movimento modifica a posição da moto no campo visual do motorista e facilita sua identificação. É diferente de costurar entre os veículos: trata-se de ajustar a posição dentro da faixa, sempre com segurança.
O farol aceso também contribui para destacar a motocicleta no trânsito, inclusive durante o dia. Ainda assim, iluminação não substitui posicionamento. Não adianta estar com o farol ligado e permanecer ao lado da porta traseira de um carro ou próximo à lateral da cabine de um caminhão, regiões em que a moto pode simplesmente desaparecer dos espelhos.
“O motociclista precisa observar o que acontece ao redor. Um bom posicionamento, aliado à sinalização das manobras, torna seus movimentos mais previsíveis”, afirma José Roberto Fávaro, também instrutor do Yamaha Riding Academy.
Motoristas podem calcular mal a aproximação
A responsabilidade, evidentemente, não é apenas de quem pilota. Antes de mudar de faixa ou fazer uma conversão, o motorista precisa usar os retrovisores, acionar a seta com antecedência e realizar uma rápida conferência lateral.
Outro problema é a percepção de distância. Por ocupar menos espaço no campo visual, uma moto pode parecer mais distante — e até mais lenta — do que realmente está. O erro de avaliação se torna especialmente perigoso quando um automóvel cruza a trajetória do motociclista ou inicia uma conversão.
A seta também precisa ser acionada antes da manobra, não durante. Sua função é avisar aos outros usuários o que o motorista pretende fazer e oferecer tempo para que eles reajam.
No trânsito, ver e ser visto fazem parte da mesma responsabilidade. “Ter consciência de que o outro condutor pode não ter a mesma visão da situação muda a forma como nos comportamos na via”, resume Rafael Lourenço, gerente institucional da Yamaha Motor do Brasil.
Para o motociclista, a melhor estratégia é não presumir que foi visto. Para o motorista, é não presumir que o retrovisor mostrou tudo.