03/06/2026 12:17
Existem vitórias que valem mais do que um troféu. Existem pódios que representam muito mais do que uma posição na classificação. E foi exatamente isso que aconteceu no lendário circuito de Road America, nos Estados Unidos, quando a brasileira Tati Paze escreveu seu nome em uma página inédita da história do motociclismo nacional.
Durante a segunda etapa da temporada 2026 do Build Train Race (BTR), programa global da Royal Enfield voltado ao desenvolvimento de mulheres no esporte a motor, a piloto conquistou dois resultados expressivos: terceiro lugar na primeira corrida e segundo lugar na segunda disputa do final de semana. Mais do que excelentes desempenhos esportivos, os resultados transformaram Tati na primeira brasileira a subir ao pódio de uma competição do MotoAmerica.
O feito ganha ainda mais relevância pelo palco onde foi alcançado.
Road America, localizado em Elkhart Lake, no estado de Wisconsin, é considerado um dos circuitos mais tradicionais e respeitados do motociclismo norte-americano. Com pouco mais de seis quilômetros de extensão, o traçado é conhecido por suas longas retas, curvas rápidas e pela capacidade de separar pilotos rápidos daqueles realmente preparados para competir em alto nível.
Foi justamente nesse cenário, diante de um público estimado em cerca de 100 mil espectadores durante o fim de semana que reuniu o MotoAmerica Superbikes e o Vintage MotoFest, que a brasileira alcançou um resultado que ultrapassa as fronteiras da competição.
"Correr em Road America tem um significado muito especial para mim. É uma pista com muita história e estar no pódio aqui, duas vezes no mesmo fim de semana, é algo que vou levar para sempre", destacou Tati após as provas.
A conquista também representa a consolidação de um trabalho construído ao longo dos últimos anos. Em um esporte historicamente dominado por homens, resultados como este ajudam a ampliar a visibilidade de mulheres que vêm conquistando espaço dentro e fora das pistas.
E é exatamente esse o propósito do Build Train Race.
Criado pela Royal Enfield, o programa foi desenvolvido para oferecer uma jornada completa de formação, começando pela preparação mecânica das motocicletas, passando pelos treinamentos de pilotagem e culminando nas competições oficiais. Mais do que uma categoria de corrida, o BTR tornou-se uma plataforma de desenvolvimento profissional para mulheres interessadas em construir uma carreira no motociclismo esportivo.
Segundo Letícia Thenard, Head de Marketing Latam da Royal Enfield, o resultado alcançado por Tati demonstra a força da iniciativa. Para a executiva, ver uma brasileira alcançando um marco histórico em uma das principais competições dos Estados Unidos reforça o compromisso da marca em criar oportunidades reais para o desenvolvimento feminino no esporte.
O Brasil, aliás, vem ampliando sua presença no programa. Além de Tati Paze, nomes como Karina Simões, Sany Max e Juliana Chile fazem parte da iniciativa, formando uma geração de pilotos que passa a representar o país em diferentes etapas e temporadas do campeonato.
Para Sany Max, que também integra o ciclo atual do BTR, cada etapa representa uma combinação de desafios, aprendizado e evolução pessoal. Um processo que vai além da competição e contribui para fortalecer a presença feminina dentro do universo das duas rodas.
O pódio conquistado por Tati em Road America é histórico. Mas talvez seu maior significado esteja no que ele representa para o futuro. Porque, às vezes, uma bandeira brasileira no pódio não celebra apenas quem chegou lá. Ela abre caminho para muitas outras que ainda estão acelerando em direção ao mesmo sonho.