Sabrina Paiuta anuncia fim da carreira como piloto

A paulista escreveu um post em sua conta no Facebook onde encerra sua trajetória de 14 anos, entre motocross, supermoto e motovelocidade

20/01/2016 12:14

A piloto de motovelocidade Sabrina Paiuta anunciou ontem, através de sua conta no Facebook, que encerrará sua carreira nas pistas. Paiuta, de apenas 21 anos, começou a competir no motocross aos 7 anos de idade por influência do pai, Eduardo Paiuta, treinador na categoria. Seu primeiro título veio em 2010: campeã paulista no Supermoto. Em 2012, estreou na motovelocidade, com objetivo de um dia chegar ao Mundial de Motovelocidade. No entanto, segundo relato da piloto, chegou a hora de dar adeus às pistas e dar um novo rumo a sua vida.

Confira na integra a despedida que a piloto publicou em página pessoal no Facebook:

“Não é fácil escrever uma despedia de uma história de 14 anos. Pois é... para quem ainda não sabe, decidi encerrar minha carreira de piloto. Os motivos são vários, mas a principal causa e mais importante é: quero e preciso de novos desafios e novas metas.

Em minha carreira conquistei muitas coisas e realizei diversos sonhos que jamais esperaria conseguir. Por isso, vejo que o que eu desejava e precisava realizar no mundo da moto eu realizei, sinto que hoje não faz mais sentido para minha vida continuar. Conquistei o que eu queria, agora seguirei outros caminhos.

Em todos esses anos aprendi muito. Foram tantas emoções, alegrias, tristezas, frustrações, vitórias, derrotas, lágrimas, expectativas... que tudo me fez crescer e enxergar a vida com outros olhos, me considero uma menina de apenas 21 anos muito precoce e devo isso exclusivamente a moto.

Quando eu tinha apenas sete anos de idade meu pai, Eduardo Paiuta, me deu uma moto para brincar. E acreditem se quiser, levei um tombo muito feio, me lembro até hoje. No primeiro momento chorei de dor, de tristeza, de frustração... Depois quis tentar de novo e de novo... Quando consegui, veio a sensação de superação, aquela que arrepia e você se sente a pessoa mais poderosa do mundo. Foi assim que me apaixonei pelo esporte.

No inicio não foi nada fácil tanto para mim, quanto para minha família, sabíamos que era um esporte arriscado, extremamente radical e totalmente masculino, mas foi por estes mesmos motivos que decidi me dedicar ainda mais.

Durante anos ouvi, que isso não era para mim e que eu não chegaria a lugar nenhum, mas por incrível que pareça, essas frases de desmotivação me deram ainda mais força para seguir o caminho que eu queria.

Claro que foram anos de muita luta, dedicação, foco... tive que deixar muita coisa de lado como amigos, curtição, namorado, família... não foi fácil, mas sempre tive meu objetivo trassado e por isso em nenhum momento desisti, fui até o fim.

Posso dizer que para conquistar tudo que eu conquistei sofri muito, mas aprendi muito e chorei muitas vezes alegria, não só eu, meu pai também, esse que pode contar a história em todos os detalhes.

Eu fui privilegiada, não conquistei nada sozinha, tive e tenho uma pessoa essencial em minha vida e essa pessoa é meu pai, o que entregou toda sua alma, atenção, confiança, cumplicidade, carinho, coração, determinação... para seguir junto comigo me dando a mão em TODOS esses momentos. Essa história não é só minha, ela é nossa, foram nossas conquistas!

Em todas as corridas o que eu mais esperava era o abraço dele, o abraço do meu herói, do meu companheiro, parceiro, amigo... Poderia até ser uma prova que não me dei bem, mas ele estava sempre lá me esperando para me dar forças, para me trazer confiança e para me mostrar quem eu realmente era.

A pessoa que devo agradecer eternamente pelas minhas conquistas da moto e da vida é meu pai. Obrigada papai!!!!

Eu poderia me estender e contar para vocês tudo o que passamos, mas eu precisaria de alguns meses para tentar resumir esta história e no final viraria um livro enorme, quem sabe um dia isso aconteça.”

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