WN7 é a aposta da Honda para o mercado de motos elétricas

Marca anuncia que “a voz do cliente será decisiva” após lançamento da WN7. Receio é que a aparente demanda regrida como ocorreu com os carros

27/01/2026 09:00

De acordo com informações publicadas pelo site inglês Motorcycle News (MCN), a apresentação da Honda WN7, primeira naked elétrica de maior porte da marca, durante o Salão de Milão (EICMA) em novembro passado, sinaliza uma possível mudança de postura da fabricante japonesa em relação à viabilidade das motocicletas elétricas de média e alta cilindrada. Maior fabricante de motos do mundo, com produção anual superior a 20 milhões de unidades, a Honda reconhece que entrar de forma mais contundente no segmento elétrico representa um passo estratégico — ainda que desafiador.

Em entrevista ao MCN, Masatsugu Tanaka, líder do projeto WN7, afirmou que o grande parâmetro de comparação segue sendo as motos a combustão. Segundo ele, o objetivo ideal é desenvolver uma elétrica capaz de satisfazer o motociclista tradicional, oferecendo desempenho e usabilidade semelhantes. Atualmente, a WN7 se destaca pelo uso urbano e trajetos curtos e divertidos, mas Tanaka admite que ampliar autonomia e desempenho exige aumento de peso, o que compromete a experiência. “Estamos satisfeitos com o estágio atual, mas ainda há muito a evoluir”, afirmou.

A Honda WN7 chega às concessionárias da Europa no início de 2026, com autonomia de até 87 milhas (cerca de 140 km), potência nominal de 24,1 cv (A2) ou 14,8 cv (A1), torque de 73,8 lb.ft (10,2 kgfm) e bateria de 9,3 kWh, capaz de recarregar de 20% a 80% em aproximadamente 30 minutos com carregador rápido do tipo 2. No Brasil, a movimentação da marca já chama atenção: a Honda registrou o design da WN7 no início de 2026, o que indica um forte interesse em trazer sua primeira moto elétrica de “tamanho real” para o mercado nacional, embora ainda não exista confirmação oficial sobre data de lançamento. 

Para Masayuki Hamamatsu, gerente-geral da divisão de eletrificação da Honda, o avanço do projeto passa agora pela escuta ativa do consumidor. “Precisamos da voz do cliente — saber o que funciona e o que não funciona”, afirmou ao Motorcycle News, reforçando que a Honda pretende expandir sua linha elétrica para esportivas, touring e scooters maiores nos próximos anos. Mas, conforme ocorreu com o segmento de automóveis, a prudência falará mais alto: várias marcas de carros que correram com projetos exclusivamente de elétricos nos últimos anos... tiveram que voltar atrás.

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