Quatro Rodas

Viagem: Guga Dias explora o maior conjunto de cavernas do mundo

Aventureiro dá dicas e conta sua experiência pela região do Petar, na cidade paulista de Iporanga

13/02/2015 10:10

Texto e fotos: Guga Dias*

O Brasil possui lugares incríveis e isso não é segredo para ninguém, mas tem um lugarzinho de encher os olhos e que poucos conhecem, e se esconde atrás da famosa Caverna do Diabo. O Núcleo Petar, localizado na cidade paulista de Iporanga, cerca de 320 km ao sul da capital, possui o maior conjunto de cavernas do mundo, e é um destino que concilia ecoturismo com um pouco de off-road nível fácil, a ponto de motos custom transitarem sem estresse.

A região com mais de 300 cavernas foi criada por conta da separação do continente Americano da África e, por ser rica em calcário, uma rocha que facilmente se dissolve, permitiu que a força das águas esculpisse cavernas que chegam a 20 km de extensão. No entanto, não há permissão para entrar em todas elas. Também pudera, para percorrer meros 800 m da Caverna Santana, por exemplo, são cerca de 2 horas.

É necessário contratar uma Agência de Turismo que colocará um guia à disposição, além de capacete com lanterna. Para controle e preservação, a cada hora, apenas um grupo de até 8 pessoas pode entrar nas cavernas, então quanto mais cedo você chegar ao Parque, mais cavernas conseguirá visitar. Por dia, em média, é possível percorrer três cavernas, uma vez que além da espera para iniciar a exploração, é preciso percorrer trilhas entre uma e outra. Há caminhos que podem levar até 4h e cruzam rios e sobem morros, então é bom conversar com o seu guia e estipular antes quais cavernas serão visitadas.

É prudente levar repelente e lanche de trilha (a maioria das Pousadas oferece a baixo custo um lanche especial com sanduíche, barra de cereais, água e frutas). Prefira roupas confortáveis e um tênis macio e de preferência velho. Não é aconselhável ir de shorts ou bermuda, já que além das trilhas em meio a mata, dentro das cavernas há momentos em que passamos por espaços apertados e ficamos sujeitos a escoriações.

Das cavernas visitadas, deixo as seguintes sugestões:

Caverna Água Suja – ao contrário que o nome sugere, suas águas são cristalinas e frias, e foi a primeira caverna explorada. Considerada uma caverna molhada, seguimos o curso do rio a dentro em cerca de 1.300 m (ida e volta). No final, existe um paredão e a água passa por debaixo das rochas.

Caverna do Ouro Grosso – possui cerca de 1.100 m de extensão, mas é preciso fazer rapel nas suas cachoeiras que estão no interior. Nós apenas entramos e percorremos não mais que 100 m entre muitas quedas d´água. A entrada é extremamente apertada com uma abertura de pouco mais de 60 cm de altura, mas o interior vale muito a pena. A trilha até lá é incrível e passamos por dentro do tronco de uma figueira monstruosa.

Caverna do Couto – essa tem aproximadamente 470 m de extensão e a sua pequena entrada atravessa a montanha. O incrível no seu interior são as marcas das águas que esculpiram suas paredes e no meio da caverna você começará a ver uma pequena luz que revelará uma saída gigantesca.

Caverna do Morro Preto – uma das maiores aberturas, com cerca de 25 m de altura, essa caverna serviu de abrigo para civilizações primitivas. Hoje é possível ver seus sinais em pequenos fogareiros e restos de conchas usadas na alimentação – chamados sambaquis. Ao entrar na caverna, um grande salão é revelado e no fundo a visão da luz entrando na caverna é deslumbrante.

Caverna Santana – uma das mais incríveis formações, o passeio leva cerca de duas horas em aproximadamente 800 m. O seu interior é silencioso com belíssimas esculturas. Nosso guia em certo momento pediu que sentássemos no chão e apagássemos as lanternas. É impressionante o breu e o silêncio, só quebrado pelo bater de asas dos morcegos que passam muito perto. Por suas formações, recebeu o título de caverna mais ornamentada do mundo.

Infelizmente é visível algumas rochas quebradas, graças a alguns seres humanos que gostam de levar pequenas lembranças para casa. Vale ressaltar: extrair esse material é crime. E não se esqueça de carregar todo o seu lixo até encontrar um ponto adequado de descarte. Outra dica: se você não pratica esportes rotineiramente, é aconselhável levar na mala relaxante muscular porque suas pernas vão queimar à noite na cama. 

Serviço:

– O melhor caminho é pela Rod. Régis Bittencout – BR-116 – acessando a cidade de Jacupiranga na altura do 475 km, e seguindo para Eldorado pela SP-193. Deste ponto, seguir pela SP-165 por mais 70 km até Iporanga.

– A cidade oferece várias pousadas e a maioria deles oferece restaurantes.

– O trecho off-road da cidade até o Petar não passa de 14 km bem compactados, fácil até para motos custom.

Sobre o Autor:

*Guga Dias é jornalista e editor do site Diário de Motocicleta. Já percorreu de moto 120 cidades em 23 estados brasileiros, seis países da América do Sul e quatro países na Europa.

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